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  • Foto do escritorDa Redação

Adriana Palladino | A maioria de nós é bom. Será mesmo?

Semana passada tivemos um caso maus tratos com  repercussão nacional. Em Caxias do Sul um suspeito, infelizmente nessa coluna só posso usar esse termo, pegava gatos de rua, de ONGs, levava para casa, torturava com requintes de crueldade e depois de muito sofrimento matava os animais. E pior ainda,  fazia vídeos e postava na deep web. Foi denunciado por uma ONG, preso em setembro de 2023 e solto logo depois. Fora da cadeia continuou a pegar gatos, tortura-los e ainda por cima, enviava fotos e vídeos para a ONG com ameaças as pessoas da instituição. Após as ameaças e com mais provas, novamente a criatura foi presa. De novo.  Até quando? Infelizmente, não sabemos. A certeza da impunidade permitiu a essa criatura ter a audácia de enviar fotos, vídeos para ameaçar pessoas que dedicam a vida para proteger os animais. Pessoas normais, que escolheram ajudar os animais e dedicar parte do seu tempo e da sua vida a esta causa. Imagina receber esse tipo de ameaças. O quão absurdo é  isso!


Esse caso teve grande repercussão. Mas infelizmente não é um caso isolado. A história  choca pelos requintes de crueldade e por ser um caso que tinha constância. Ele não torturou e matou um! Ele fez com muitos!


No meu estado, Rio de Janeiro, em 2023, pelo Disque-Denúncia, das 18 mil denúncias recebidas, 11 mil foram de maus-tratos contra animais. Mais da metade das denúncias são de maus-tratos contra animais, o que demonstra que, mesmo que nós protetores, estejamos espalhados por todo esse país, não somos suficientes e nem temos poder para prender e punir esse tipo de monstro.


O papel do protetor e das entidades é o mesmo da ONG de Caxias do Sul, que denunciou o caso. Fazer a denúncia, informar aos que querem denunciar como fazer e cobrar! Agora, esperar que nós façamos o papel da polícia, do MP e do Judiciário é exigir de nós o que é dever de outros órgãos. Cada um tem o seu papel muito bem definido. O que precisamos exigir é uma punição contra maus-tratos maior. Cobrar de quem? Dos deputados federais, eles que podem mudar a lei aumentando a pena para quem maltrata.  A lei foi alterada recentemente. A pena passou para 2 a 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda. Mas, diante dos números de maus-tratos que crescem exponencialmente todos os anos, essa pena com certeza precisa ser revista urgentemente!


Como já disse aqui, pela primeira vez na história desse país, temos uma Frente Parlamentar em Defesa dos Animais. Tem pessoas no topo da causa, como o delegado do paraná que tive o prazer de conhecer. O Delegado Matheus Laiola, grande defensor dos animais, tem uma missão difícil mas essencial de mudar e criar leis que sejam mais rígidas que de fato prendam e mantenham presos esses covardes.


Existem diversos estudos inclusive do FBI que diz que, cerca de 80% dos psicopatas iniciam seus crimes, matando animais. Sabendo disso, nos Estados Unidos e na Inglaterra esses casos são julgados de forma diferente que vai além dos maus-tratos. Lá eles sabem que é preciso ter medidas preventivas tanto para proteger os animais quanto para a sociedade.


Os casos vão se multiplicando e nós vamos nos perguntando, será que somos realmente a maioria? Será que esse tipo de comportamento já não se alastrou de tal forma que não tem mais como conter? Uma coisa é certa, toda e qualquer medida a ser tomada daqui para frente chegou tarde demais para os gatos de Caxias do Sul, para o pitbull Sansão, que dá o nome a lei, e para tantos outros que morreram  e morrem nesse país todos os dias. Vítimas da maldade e crueldade dos ditos seres humanos.

Adriana Palladino

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