• Lenon Quoos

Angélica foi morta por não devolver R$ 15 mil ao assassino cachoeirense

Em coletiva de imprensa realizada hoje, na Câmara de Vereadores de Arroio do Meio, o delegado Dinarte Marshall Júnior, acompanhado pela delegada regional Shana Luft Hartz, detalhou como a Polícia Civil esclareceu a morte de Angélica Maria Tonini, 20 anos, e chegou ao autor e a motivação do crime.

Preso na tarde de ontem, um homem de 41 anos, morador do bairro Bela Vista, natural de Cachoeira do Sul, confessou o crime na delegacia, após ser confrontado com as provas da polícia. Em depoimento disse que conhecia Angélica, pois era colega de trabalho do seu companheiro e que chegou a consumir drogas junto com a vítima em outras oportunidades.


Por conhecer a jovem, conferiu a ela a guarda de R$ 15 mil dias antes do crime e quando solicitou a devolução, esta disse que não poderia devolver a quantia. Então ele teria entrado em desespero, porque precisava prestar contas deste valor e combinou de conversar com a vítima. No parque ambos teriam usado drogas e, no calor do momento, ele teria asfixiado a jovem até seu desfalecimento e a arrastado para o matagal, onde o corpo foi encontrado. Lá desferiu golpes no rosto com um pedaço de madeira até ela parar de respirar, versão que vai ao encontro do laudo pericial que aponta deslocamento de mandíbula.

Ao depor, afirmou que não havia planejado o crime, mas a polícia entende que foi premeditado, visto que imagens apontam que ele fez um reconhecimento do local momentos antes de se encontrar com Angélica. Para não ser visto saiu da área de lazer pelos fundos, caminhou por várias ruas do Centro até ir para casa. Os passos do homem foram mapeados pela polícia por meio de imagens de câmeras, disponibilizadas pela comunidade arroio-meense.

O autor levou o celular da vítima, que foi vendido a uma pessoa de Estrela e foi recuperado pela polícia na tarde de ontem. Tanto o celular de Angélica como o do autor confesso do crime passarão por uma análise técnica na tentativa de recuperar mensagens e esclarecer pontos ainda desconhecidos da investigação, a exemplo da origem do dinheiro. Também serão ouvidas pessoas referidas em depoimento.

Segundo o delegado Dinarte não há dúvidas quanto à autoria, mas a polícia ainda vai apurar se houve a participação intelectual de outra pessoa. Disse que foi um trabalho complexo e que só se chegou ao autor após a análise de imagens registrada por câmeras em diversos pontos da cidade, juntamente com o melhoramento do rosto do suspeito por uma agência de audiovisual e a técnicas de investigação de crimes cibernéticos.

O delegado destacou a abnegação da equipe da delegacia, que mesmo limitada a dois servidores, não mediu esforços para esclarecer o caso desde o registro do desaparecimento em 31 de janeiro. Também elogiou a agilidade e parceria do Ministério Público e do Judiciário do município e a colaboração da comunidade. A delegada regional parabenizou o trabalho da equipe e observou que é importante o esclarecimento dos fatos, mostrando para a comunidade que não se trata de um crime aleatório na área de lazer.


O nome do homem não foi divulgado em razão da Lei de Abuso de Autoridade.

Fonte: Jornal o Alto do Taquari

Banner para site-1.png