• Da Redação

Braiam Fagundes | Experiência como terapeuta de detentos

No ano de 2017 iniciei um projeto voluntário em parceria com a assistente social do presídio de Cachoeira do Sul e com a psicóloga do presídio de Candelária, atendendo individualmente e em grupos uma quantidade significativa de apenados. Durante um período de dois anos, foi uma grande experiência que marcou muito minha trajetória enquanto terapeuta e espiritualista. Após alguns meses de atuação o trabalho alcançou uma grande repercussão na Susepe com divulgações no site do órgão, sendo que em dezembro de 2018 o projeto foi indicado pela coordenadoria regional de saúde mental da  Susepe para a mostra estadual de atenção básica na saúde, evento que ocorreu em Porto Alegre e tive a alegria de apresentar para mais de 500 profissionais de saúde de todo o estado as atividades que realizamos naquele ano. 


No presídio de Candelária os atendimentos eram individuais, a psicóloga que trabalhava diariamente com os detentos realizava uma triagem e selecionava os casos que identificava estarem necessitando de uma intervenção alternativa e assim de forma continuada junto a um colega terapeuta viajávamos de Cachoeira do Sul para Candelária para atender com psicoterapia holística, aconselhamento espiritual, reiki, barras de access e até mesmo com aconselhamento de oráculos. Já em Cachoeira do Sul, o trabalho acontecia com grupos de apenados que, semanalmente variavam, e estes grupos participavam de palestras, meditações, rodas de conversa com pautas terapêuticas e vivências holísticas variadas.

Muitas vezes o trabalho que eu desempenhava de forma voluntária era visto com maus olhos por pessoas que ficavam sabendo e até mesmo por alguns profissionais que participavam indiretamente das atividades. Uma vez que o acesso aos presídios necessitava de todo um acompanhamento de segurança, para muitos é natural a frase "bandido bom, é bandido morto", porém o foco do projeto era levar um novo olhar de mundo para pessoas que viviam uma rotina de punição constante, nada era esperado em troca e nós mesmos que custeávamos as viagens e muitas vezes os materiais utilizados nas vivências. 


Eu possuía uma biblioteca variada com temas espiritualistas que doei para o presidio de Cachoeira do Sul, então criamos um circulo de leitura que rendeu muitas rodas de conversa. O que trago desta experiência e gostaria de compartilhar, é que vivemos em uma sociedade altamente preconceituosa, onde muitas pessoas julgam o outro sem o mínimo de empatia.


Em fim para você que esta lendo deixo meu convite de neste momento baixar as barreiras que possam existir em sua mente se conectando assim com seu eu superior, estamos vivendo uma época de pandemia onde o mundo inteiro compartilha a mesma doença, estamos tolhidos pelo distanciamento social e crises variadas afetam tantas áreas da vida humana.


Que tal olhar a vida com mais leveza esperança e empatia? Que tal olhar ao seu redor e perceber que contribuição você pode ser hoje para o mundo? Apesar dos erros e dificuldades que todos possuímos , todos trazemos em nosso interior a possibilidade de mudar o mundo, não falo do mundo inteiro , mas se você for capaz de mudar o mundo de uma única pessoa, certamente estará assim colaborando com o todo e talvez esta pessoa esteja ao seu lado esperando um a abertura para um diálogo, a resolução de um desentendimento ou um pequeno gesto de pacificação.


Atendendo detentos aprendi a valorizar a vida de uma nova forma, aprendi que pequenos gestos realmente fazem toda a diferença. Em avaliação psicológica todos que passaram pelos atendimentos individuais melhoraram muito em relação a ansiedade, pânico,  depressão, agressividade. e outros problemas Mude o seu mundo para melhor, mude o mundo de alguém. Este foi meu propósito na Susepe.


Braian Fagundes


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