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Bruno Müller | A balsa, a fila e a verdade

  • Foto do escritor: Lenon Quoos
    Lenon Quoos
  • 16 de mar.
  • 3 min de leitura

Antes de falar da fila da balsa, é importante lembrar de um fato que pouca gente conhece.


Ainda no ano de 2024, antes mesmo de assumir o cargo, o Prefeito eleito e seu Procurador viajaram a Brasília, pagando do próprio bolso, para conversar com o Diretor-Geral do DNIT sobre a obra da Ponte do Fandango e os impactos que ela traria para Cachoeira do Sul.


A reunião, por indisponibilidade da autoridade, durou 5 minutos.

Naquela conversa, o DNIT foi direto: disse que a obra iria acontecer e que não aceitaria questionamentos. Chegou a afirmar que, se a cidade não quisesse a obra, o dinheiro poderia ser levado para outro lugar.


Mas também fez uma promessa clara.

Disse que, durante a obra da ponte, duas balsas seriam disponibilizadas para garantir a travessia da população.


Essa foi a promessa.

Hoje todos sabem que isso não aconteceu.

 

A primeira verdade que precisa ser dita:

Toda obra grande gera transtornos. Isso é normal.

O que não é normal é jogar a culpa desses transtornos em quem não é responsável pela obra.

A obra da ponte é do Governo Federal.

Quem está fazendo a obra é o DNIT.

A ponte foi fechada por causa dessa obra.

Portanto, a estrutura de travessia da população também depende de quem está fazendo a obra.

Isso não é opinião. É a regra da administração pública.

 

A segunda verdade:

A fila da balsa não existe por causa de decreto nenhum.

A fila existe por um motivo muito simples, muitos veículos tentando atravessar o rio usando apenas uma balsa.

Uma balsa tem capacidade limitada.

Se milhares de pessoas precisam atravessar todos os dias, é óbvio que vai existir fila.

Revogar decreto não aumenta o tamanho da balsa.

Revogar decreto não cria outra balsa.

 

A terceira verdade:

O decreto feito pelo Município não criou privilégios para ninguém.

Ele apenas organizou prioridades que já existem em lei federal.

Ambulância tem prioridade.

Idosos têm prioridade.

Pessoas com deficiência têm prioridade.

Gestantes têm prioridade.

Isso não foi inventado pela Prefeitura.

Isso já está na lei.

O decreto apenas organizou essas prioridades para tentar dar um mínimo de ordem em uma situação que já era complicada.

 

A quarta verdade:

Se alguém acredita que o decreto é o problema, a solução é simples: revogue-se o decreto.

Que o próprio responsável pela travessia organize tudo.

Mas uma coisa precisa ficar clara, com apenas uma balsa, a fila continuará existindo.

Porque o problema nunca foi o decreto.

O problema sempre foi a falta da segunda balsa prometida.

 

A verdade inconveniente:

O DNIT disse que haveria duas balsas.

Hoje existe apenas uma.

Agora aparece uma explicação dizendo que seria necessário desassorear o rio.

Mas surge uma pergunta muito simples:

O DNIT não sabia das condições do rio antes de começar a obra?

Não sabia quando prometeu duas balsas?

Se sabia, por que prometeu?

Se não sabia, como uma obra desse tamanho começa sem saber disso?

 

Outra verdade que precisa ser lembrada:

Se não fosse a pressão da população de Cachoeira do Sul, provavelmente nem a balsa gratuita existiria hoje.

A travessia gratuita não caiu do céu.

Ela aconteceu porque a comunidade se mobilizou.

 

No fim das contas, a situação é simples:

A obra é federal.

A ponte foi fechada pela obra federal.

A travessia depende da estrutura definida por quem faz a obra.

O Município tentou organizar prioridades para proteger idosos, doentes e serviços essenciais.

Transformar isso no culpado pela fila é apenas uma forma de desviar o foco do problema real.

 

O que a população precisa saber:

Não existe mágica.

Com duas balsas, a fila seria muito menor.

Com apenas uma balsa, a fila aumenta.

É matemática simples.

E por mais que tentem repetir a mesma mentira todos os dias no rádio, isso não muda a realidade dos fatos.

A população de Cachoeira do Sul merece respeito.

E merece, acima de tudo, a verdade.





Bruno Müller 

 
 
 

1 comentário


carolinas.damotta
17 de mar.

Sobre a prioridade na travessia, isso que está escrito aqui não condiz com o que vemos lá...

Idosos, serviços de saúde e segurança, pessoas com deficiência... acho que todos concordam que tenham prioridade, mas porque o caminhão da cerveja está na fila prioritária? Os ônibus que vão em direção a Porto Alegre, não podem ir por Rio Pardo? Porque todas as empresas da cidade estão na fila prioritária? Meu sustento vem do campo e não tenho prioridade nenhuma para esperar menos tempo na maldita fila. São pelo menos 2 horas de espera toda vez que precisamos nos deslocar até lá ou voltar para a cidade. Acho que poderiam, sim, rever a questão da prioridade!

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