• Da Redação

CACHOEIRA 200 ANOS E SUAS CONQUISTAS | Château d’Eau

A história do Château d’Eau remonta à metade da década de 1920, quando os serviços de saneamento e distribuição de água na cidade tornaram-se alvo, mais uma vez, da administração municipal, dessa vez sob o comando do Dr. João Neves da Fontoura.


A distribuição de água começou a ser feita em algumas ruas da cidade com a construção e funcionamento da primeira hidráulica, inaugurada em 20 de setembro de 1921, nas proximidades do Hospital de Caridade. Quatro anos depois, em 1925, com a segunda hidráulica, também a zona alta da cidade passou a ter água encanada. E é justamente no complexo da segunda hidráulica que entra o Château d’Eau, reservatório elevado que atuava no recalque de água e a distribuía até o reservatório enterrado, ou R2, situado na Rua Júlio de Castilhos e hoje integrante da Praça Borges de Medeiros.


O Château d'Eau em 1925


Histórico


O Château d'Eau (em português, "castelo d'água") é o principal símbolo de Cachoeira do Sul, a capital nacional do arroz, no Rio Grande do Sul. O projeto arquitetônico, de 1925, foi elaborado pelo engenheiro Walter Jobim e o cálculo estrutural, pelo engenheiro Antônio de Siqueira. As esculturas (Netuno e grupo de ninfas) foram executadas nas oficinas de Vicente Friedrichs, em Porto Alegre, sob a direção do professor Giuseppe Gaudenzi, escultor italiano radicado nesta cidade.


O Château d’Eau foi construído com a finalidade de levar água por gravidade ao reservatório de distribuição da Rua Júlio de Castilhos e regular a pressão da água nas zonas mais elevadas da cidade. Foi desativado em junho de 1970, não sendo mais reservatório, nem passagem de água, tornando-se um ponto turístico.


De estilo eclético, o Château forma, juntamente com a Catedral Nossa Senhora da Conceição e o "Casarão da 15 de Novembro", sede da prefeitura, um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Rio Grande do Sul.



Ninfas


Em agosto de 1964, um dos vereadores que compunham a Câmara Municipal, Erondino Rael da Rosa, escreveu um texto que discorre sobre as ninfas em que justifica a pintura que receberam:


"Ninfas. Permitam-me falar sobre ninfa, em virtude de se tratar de uma figura existente na mitologia, e pela razão de não ser mitólogo. No entanto, nem por isso, acho-me privado de falar ou escrever a respeito de mitologia. Existem muitas obras que tratam de mitologia, e, estão ao alcance de qualquer pessoa. De acordo com o que já li, a palavra (vocábulo) ninfa, significa: Divindade fabulosa dos rios, dos bosques e dos montes, segundo a mitologia grega e latina. Fig. Mulher formosa e jovem. Ora, as fabulosas ninfas de que trata a mitologia eram verdadeiras deusas da beleza, e teriam, logicamente, que ter suas vestes, também belas. Logo assim, não vejo motivos para críticas, naturalmente, destrutivas, em relação à pintura de nossas ninfas. As ninfas da Praça Baltazar de Bem. A nossa querida Praça da Matriz. Na parte superior do "chateau deaux", isto é, em cima da caixa d'água está postado o rei dos mares, Neptuno. Em baixo ao redor, as ninfas rainhas dos rios, dos bosques, dos montes e dos prados. Depois, o lago onde está instalada a fonte luminosa. À esquerda, a Igreja Matriz, a Casa de Deus. À direita a Prefeitura Municipal, a Casa do Povo. Na parte sul, o busto de um dos mais eminentes filhos da terra, o Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha. Na outra parte, o de Antônio Vicente da Fontoura, figura destacada do passado. A Praça da Matriz, certamente, servirá de orgulho não tão somente aos cachoeirenses, mas, a todos os rio-grandenses."


Cachoeira do Sul, 26 de agosto de 1964

Erondino Rael da Rosa



A defesa das cores das ninfas feita no texto do vereador não esclarece se a pintura já estava realizada ou se era apenas uma cogitação. O fato é que ela se concretizou. Não foram ainda localizadas notícias sobre a obra para apurar maiores detalhes ou até mesmo a motivação da iniciativa. Tampouco são conhecidas fotografias deste período.



Restauração


Em julho de 2007 foi aprovado o projeto de lei nº 261/2006 proposto pelo deputado José Sperotto, que incorporou o Château d’Eau ao Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul. A fonte está, depois de 10 meses de restauração, em pleno funcionamento e novamente com o brilho do século passado. Durante a restauração os jatos de água que saíram dos cântaros das donzelas, o que foram uma modificação dos anos 60, foram retirados, e agora a fonte mostra uma aparência mais próximo do original de novo.


Na manhã do dia 17 de Agosto de 2012, o Château D'eau, foi tombado como patrimônio histórico de Cachoeira do Sul. Ralizando assim mais uma marca no Dia Nacional do Patrimônio histórico. O prefeito, Dr. Sergio Ghignatti, assinou o decreto de tombamento do monumento. A solenidade contou com a participação de três jovens atores do grupo de teatro do Colégio Marista Roque, que abrilhantaram a cerimônia. Jean Calegari, representando o deus protetor das fontes, Netuno. Clara Raddatz e Ana Júlia Tonet, atuando como duas ninfas, tudo sob comando da professora e diretora do grupo, Bernadete Lovato.



Pesquisa e fotos: Arquivo Histórico Municipal Apoio: Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul


Tchê Peq..png