• Da Redação

Cachoeira 200 anos e suas conquistas: Como tudo começou

Data será marcada com o descerramento de uma placa na Praça Balthazar de Bem, no centro da cidade



A história de Cachoeira do Sul se confunde muito com as disputas territoriais entre Portugal e Espanha no Sul do Brasil. Ao longo de mais de 250 anos, Cachoeira do Sul possui várias marcas desta história, que está na cultura, na arquitetura e na memória de seu povo.


A história do município tem início em 1750, quando tropas portuguesas vindas de São Paulo receberam sesmarias e começaram a povoar a área em volta ao rio Jacuí, para segurança ao cumprimento do Tratado de Madri, assinado no mesmo ano. Estabeleceram-se com estâncias de criação de gado bovino. Para demarcar a linha de fronteira foi designado para ir ao Rio Grande do Sul o governador e capitão general do Rio de Janeiro e Minas Gerais, Gomes Freire de Andrade, Visconde de Bobadela, acompanhado por uma comissão técnica e tropas dos exércitos espanhol e português.


Devido à escassez de terras aráveis no Arquipélago dos Açores, e à explosão demográfica, Gomes Freire de Andrade recebeu a incumbência de trazer casais açorianos para povoarem a região dos Sete Povos das Missões, porém espalham-se por todo o estado. Um grupo estabeleceu-se às margens do rio Jacuí, juntando-se aos soldados, que se dividiram em pequenos latifúndios, dedicando-se à agricultura e à pecuária.


Em 1754 ocorreu a Guerra Guaranítica, onde os índios residentes nas Missões se revoltaram contra o poder da Coroa Portuguesa, da Coroa Espanhola e os padres jesuítas. Com a derrota dos indígenas, alguns deles foram recolhidos por portugueses e formaram uma pequena aldeia no Cerro do Botucaraí. Em 1769 foram levados para o Passo do Fandango, onde construíram a capela de São Nicolau.


Casa da Aldeia na década de 1990


O lugar é hoje o bairro Aldeia. É nessa época que a pequena vila, formada de açorianos e índios, começa a ser chamada de Cachoeira, devido às quedas d'água do rio Jacuí que havia no local. Em 10 de julho de 1779 a Capela foi elevada à categoria de Freguesia, com a denominação de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira. Nessa época apareceram as primeiras referências ao nome de Cachoeira, devido às quedas d’água existentes no rio Jacuí, próximas ao local da povoação. Data também desse período a demarcação dos limites da Freguesia. Em 28 de setembro de 1799 foi inaugurado o novo templo católico, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.



Em princípios de 1800 a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira entrou num período de crescimento demográfico, comercial e urbano. Contingentes oriundos das guerras de demarcação instalaram-se na povoação; casas comerciais efetuavam transações com o mercado do centro; a cidade ganhou seu atual traçado, elaborado por José de Saldanha, engenheiro, tendo a Praça da Igreja como ponto central.


"Certidão de nascimento" de Cachoeira do Sul


Atendendo a uma aspiração da população cachoeirense, o Alvará de 26 de abril de 1819 elevou a Freguesia à categoria de vila, por ordem do rei Dom João VI, com o nome de Vila Nova de São João da Cachoeira, sendo o quinto município a ser criado, precedido de Porto Alegre, Rio Grande, Santo Antônio da Patrulha e Rio Pardo. A solenidade de instalação do Município ocorreu a 5 de agosto de 1820, inaugurando-se o Pelourinho, antigo símbolo da autonomia municipal. Após a criação do município, iniciou-se um período de organização política, social e administrativa.


Revolução Farroupilha


Em 20 de setembro de 1835 estoura a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, o topo do protesto contra os impostos sobre o charque e uma tentativa de formar uma nação democrática no sul do Brasil. O município de Cachoeira adere ao movimento em 23 de setembro, por isso é considerada uma das quatorze capitais farroupilhas. Um cachoeirense, Antônio Vicente da Fontoura, se torna um dos líderes da revolução. Em 1836 acontece a Batalha de Rio Pardo, e o lugar da comemoração da vitória dos farrapos na batalha é a Igreja Nossa Senhora da Conceição.


A cidade festejava com o triunfo das tropas farroupilhas, sendo que a Câmara Municipal prestou juramento à Revolução Farroupilha, mas a cidade é atacada pelos soldados de Bento Manoel Ribeiro, e a dominação imperial acontece somente em 1840, obrigando a Câmara a reconhecer Dom Pedro II como imperador do Brasil. Antônio Vicente da Fontoura segue na revolução, exercendo papel na pacificação final, negociando a rendição dos farrapos, em 1845.


Período imperial


Cachoeira sofreu vários investimentos em seu período imperial, evidenciando-se o desenvolvimento nos seguintes aspectos: criação de aulas públicas (1827); organização dos serviços dos Correios (1829); estabelecimento das Posturas Municipais (1830); construção do edifício do Paço Municipal e entrega do mesmo à Câmara (1865). Em 1850 foi criado o Comando Superior da Guarda Nacional de Cachoeira e Caçapava, com a nomeação de José Gomes Portinho para o Comando Superior.


Chegada de imigrantes ao município


Em 1857 chegam os primeiros imigrantes alemães, dirigindo-se à Colônia Santo Ângelo, região hoje compreendida nos municípios de Agudo, Paraíso do Sul, Novo Cabrais, Cerro Branco, Dona Francisca, Nova Palma e Restinga Seca. Essas famílias alemãs dedicaram-se à agricultura, especialmente ao cultivo do arroz. Já a colonização italiana se dá a partir de 1877, quando as primeiras famílias estabelecem-se em Cortado, vindas da Quarta Colônia. Depois, essas famílias transferem-se para a cidade para trabalhar no comércio cachoeirense.


Em 1859 a Lei de 15 de dezembro concedeu o foro de cidade à sede do município de Cachoeira, e a solenidade de elevação à categoria de cidade ocorreu na sessão da Câmara de 10 de janeiro de 1860. Em 1876 Cachoeira foi ligada a Porto Alegre por linha telegráfica. Alguns anos depois, em 7 de março de 1883, chegou à Estação Ferroviária de Cachoeira a primeira locomotiva, inaugurando a estrada de ferro Porto Alegre - Uruguaiana.



Período republicano


No ano de 1900 a agricultura começa a se modernizar e impulsiona a economia cachoeirense, sendo cultivados diversos hectares de arroz, e aplicados altos investimentos em engenhos de beneficiamento de arroz. Dos que se destacam, está o Engenho Roesch. Nesta época também se dá um impulso no número de habitantes, que chegam na cidade interessados no comércio.


O enriquecimento cultural também chega, com diversos eventos e encontros. Nesta época até os anos 1920, que são construídos os prédios de maior valor cultural da cidade, tais como a atual Casa de Cultura e a Câmara de Vereadores.


Palácio João Neves da Fontoura em 1920


É no início da década de 1920 que Cachoeira atinge a liderança brasileira na produção de arroz, fato este que ganhou o apelido de "Capital Nacional do Arroz". Em 1924 é terminada a construção do 3° Batalhão de Engenharia e Combate Conrado Bittencourt e, em 1925, é inaugurado o monumento símbolo da cidade: o Château d'Eau.


“A Vila de Cachoeira deve seu nome aos recifes que, a pouca distância do lugar onde está construída, embaraçam o leito do rio e não deixam passar as canoas, senão ao tempo das enchentes.”  Auguste de Saint-Hilaire, livro Viagem ao Rio Grande do Sul, de 1821.


Pesquisa: Arquivo Histórico Municipal

Fotos: Arquivo Histórico

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