• Lenon Quoos

Cachoeirense DJ Alessandro Ribeiro recebe título de Mestre de Capoeira na Bahia

O empresário e DJ cachoeirense Alessandro Ribeiro, de 43 anos, conquistou recentemente a sonhada formação de Mestre de Capoeira, título obtido através do Mestre Índio (da Bahia) e o Mestre Karkará.


Alessandro que completou 30 anos de capoeira, tornou-se o primeiro mestre de Capoeira de Cachoeira do Sul formado na Bahia. "Essa conquista visa a Inclusão Social e educação de crianças e jovens, sem visar lucro. Já fui 4 vezes a Bahia buscar conhecimento, além de ter percorrido todo o centro sul do estado do Rio Grande do Sul", ressaltou.


Filho de Ione Paulo Ribeiro e Antônio Jesus Ribeiro, Alessandro nasceu em 1979. Praticante de Capoeira desde 1990, ele lembra que iniciou na rua, sem a noção da correção dos movimentos. Em 1991, começou a praticar capoeira com os professores Ratinho Preto, Daniel Brum e Carlinhos. "A Capoeira em Cachoeira sempre teve seus altos e baixos e pouquíssimas vezes teve o apoio do poder público", lembrou.


No ano 2000 e 2003, Alessandro assumiu o projeto de Capoeira do professor Carlinhos na capela do Bairro Virgilino Jayme Zinn, no Beco dos Trilhos, como monitor, supervisionado pelo Professor Ali e o professor Duda, de Caçapava do Sul e São Sepé. Em 2004, recebeu a formação pelo Mestre Karkará como professor de Capoeira e passou a ser membro da Associação Preto Rico de Oxosse.


A CAPOEIRA EM CACHOEIRA DO SUL

Por volta de 1976, um grupo de jovens se reunia para jogar futebol, num campinho que existia, onde hoje é a Vila dos Sargentos do Exército, no bairro Santo Antônio, neste local havia um jovem negro, magro, corpo esguio, de boa estatura, mas corpo desproporcional, pois tinha pernas grandes e tronco pequeno. Pois bem, sempre antes do futebol, esse rapaz que aparentava lá seus 19 ou 20 anos de idade, se exibia, apresentando um misto de dança com luta, com muitos chutes e acrobacias, ora chutava, ora se abaixava, ora dava rodopios, ora pulava de costas e quando todos pensavam que ia cair de mal jeito, ele parava sobre as mãos e iniciava um novo movimento.


O apelido deste moleque era MIKINHA, filha de uma senhora negra, lavadeira, chamada ORACÉLIA, que morava no bairro Fátima, naquela época, as lavadeiras lavavam as roupas das senhoras, em sangas e riachos, agua tratada era para poucos, e a lavadeira ia até o centro da cidade buscar e levar as roupas e vinha com aquela trouxa na cabeça, dona ORACÉLIA era assim. Essa dança estranha chamou a atenção de jovens que moravam próximo, na vila Cavalheira, e então passaram a copiar os movimentos que viam, sem saber do que se tratava. Era uma época de muita pobreza, e esses jovens assistiam televisão, na única que existia na vila, na casa de um amigo, sentados no chão, passaram a vislumbrar aqueles movimentos do MIKINHA na novela da rede Globo de televisão, chamada Escrava Isaura em 1977.


No início dos anos 80, com muito sacrifício, o grupo de amigos, descobre que é possível, comprar livros de capoeira, através dos correios, pela editora EDIOURO, e então encomendam o livro CAPOEIRA SEM MESTRE de WALDELOIR DO REGO, e passam de forma autodidata a interpretar as páginas daquela relíquia. Passam também a ter contato com consciência negra, descobrir notícias sobre a escravidão, a situação do negro no Brasil, e a Capoeira como um movimento de resistência. E se juntavam nos campinhos da Cavalheira, Julio Bombeiro, Jair, Gil, Negão do Sitio (irmão mais velho do Mestre Carlinhos), Luciano Rosa, Manequinho, Cebinho, e vários curiosos, e sem conhecer o som de um berimbau, faziam rodas, e apenas instruídos pelo livro cantavam ladainhas e davam os primeiros AU, Rabo de Arraia, Meia Lua de Frente, Armada, Voo do Morcego, Rasteira, Arrastão, Chibata e tantos outros golpes. Foram anos a fio treinando, o que o valioso livro ensinava. Cabe registro que nessa época já se formava um núcleo de capoeira no bairro Barcelos.


O auge da Capoeira em Cachoeira do Sul, foi por volta de 1986, quando vem morar na Cavalheira, o Ratinho Preto, que parecia que tinha o corpo de borracha, devido a sua fantástica elasticidade. Nesse ano também a televisão passa a transmitir a novela SINHA MOÇA, onde escravos lutam capoeira, para se livrar dos feitores e de seus senhores. Nessa novela, passamos a ter contato então com ladainhas de capoeira e com o som de um berimbau. Em 1986 e 1987 a capoeira ferve em Cachoeira, com o grupo da Cavalheira e o grupo da Barcelos com Daniel Brum, Caio, Luizão, Mire e tantos outros. Nesse momento Cachoeira do Sul passa a ter um de seus expoentes, MARCO ANTONIO DA ROSA, o RATINHO PRETO, sai de Cachoeira e vai morar em Porto Alegre, onde passa a treinar no GRUPO CATIVEIRO DE CAPOEIRA, do mestre Miguel, do mestre Fernando, Churrasco e outros, e quando vem a Cachoeira, finalmente começa a ensinar a capoeira vinda de um grupo e não mais de um livro. Também trás para Cachoeira, fitas K7 com ladainhas e também o primeiro berimbau, além de camisetas do CATIVEIRO e ABADAS.


Nessa época o RATINHO PRETO, já é um ANGOLEIRO conhecido nas famosas rodas de Capoeira que aconteciam na esquina democrática, as sextas feiras a tardinha, no centro de Porto Alegre. Nesse período passa a participar dos treinos que ocorriam, nos campinhos, praia nova, e rodas no centro da cidade de Cachoeira do Sul, o nosso Inesquecível MESTRE CARLINHOS, que foi um dos levaram a Capoeira da cidade adiante, e um dos responsáveis por termos capoeira até os dias de hoje. Desse movimento inicial, apesar de todas as dificuldades existentes, surgem Capoeiristas que acreditam no movimento, e passam a organizar e disciplinar a Capoeira, se filiando a Associações de Capoeira de outras cidades, passando a respeitar e a seguir um mestre e de forma didática, a ensinar a capoeira em academias e escolas.

Fotos: Divulgação


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