• Lenon Quoos

Cachoeirense Larissa participa da segunda edição do Expedição 21, no Rio de Janeiro

A cachoeirense Larissa Moraes Ceratti, carinhosamente conhecida como Lalá, de 29 anos, será a única gaúcha das 21 participantes da segunda edição do Expedição 21 - experiência de imersão, uma espécie de reality show, criada pelo Educador Social Alex Duarte, que será realizado entre os dias 25 e 28 de maio deste ano.


O programa tem o objetivo de reunir vivências e criar um desafio para adultos com síndrome de Down para viverem durante quatro dias em uma casa sozinhos, longe dos pais, e cercados por provas e dinâmicas que desafiem suas condições físicas, sensoriais, intelectuais e emocionais.

O experimento é uma experiência inovadora, fora do ambiente familiar e da rotina dos jovens, onde simula uma sociedade inclusiva, que aposta, autoriza e foca nas potencialidades dos participantes, independentemente de suas condições. Durante quatro dias, eles precisam tomar suas próprias decisões, resolver conflitos, criar estratégias de jogo, ter pensamento crítico, lidar com a convivência e principalmente ser responsável por si e pelo outro. Um momento único e desafiador para viver a fase adulta com autonomia e responsabilidades.


LALÁ RESPONDE:

A cachoeirense explica que decidiu se inscrever após assistir sobre o primeiro documentário do projeto em 2018 em uma reportagem do Fantástico. "A partir daí eu fiquei imaginando como eu faria na casa, pois sempre cumpri todas minhas responsabilidades da rotina de casa. É uma oportunidade que vou ter de mostrar que pessoas com síndrome de down também possuem autonomia, ou seja, tenho capacidade da fazer tudo", ressaltou Lalá.


Ela conta que se inscreveu quando estava passeando em São Lourenço do Sul. "Me inscrevi sozinha através do celular do meu pai. Fiz um vídeo mostrando uma lagoa", disse. O vídeo da Larissa foi o segundo selecionado, por ser considerado muito autêntico dentre os centenas de inscritos que enviaram.


Lalá conta que o seu maior sonho é casar com o seu namorado, Alvaro Guedes, ter filhos e constituir uma família entre eles em uma casa. "Eu quero mostrar que eu consigo morar sozinha com minha família e tenho certeza que esse sonho vai se realizar um dia. Faço um curso de confeitaria e frequento a Associação dos Familiares e Amigos Down (Afad) desde criança em Cachoeira. Eu e o meu namorado saímos sozinhos às vezes para ir à pizzaria, em casa de parentes e amigos. Tenho minhas próprias opiniões e tomo minhas decisões sozinha", pontuou .

"Minha família não precisa me mandar, sou independente, faço tudo o que eu quero, pois sou adulta e entendo as coisas. Saio, cozinho, lavo, faço tudo. Sou totalmente capaz. Eu estou muito feliz em participar do projeto", completou.


No Expedição 21, os participantes terão que fazer diversas atividade sozinhos, como ir ao supermercado, cozinhar, dentre outras atividades. Lalá que sempre recebeu o incentivo da família, quer mostrar que possui todas as habilidades como qualquer outra pessoa. "Fui criada igual o meu irmão. Eu sempre tive que ter responsabilidade e fazer minhas próprias coisas. Minha família sempre me corrigiu quando era necessário, nunca passaram a mão na minha cabeça por eu ter síndrome de down", destacou.


Em Cachoeira, Larissa reside na Volta da Charqueada, possui a educação básica completa, técnico em administração, curso de fotografia e está concluindo o curso de confeiteira. Também foi estagiária na Prefeitura Municipal.


MENTORES

As aulas da Expedição 21 são conduzidas pelo Educador Social Alex Duarte, que trabalha desde os desafios e responsabilidades da iniciação à vida adulta até a tomada de decisão. Além disso, a Expedição recebe a visita de vários mentores que desenvolvem oficinas e dinâmicas em diversas esferas. Este ano, estão confirmados o Neuro Cientista Fernando Gomes (que vai trabalhar funções executivas), a especialista em Comportamento Humano Tânia Zambon (autoestima e reconhecimento) e a fundadora da Educação Especial, Lidieri Barros (comunicação alternativa e sistema monetário). Também haverá uma oficina sobre sexualidade com a terapeuta Nancy Pereira e participação especial da atriz Carla Diaz.


SELETIVA

Mais de 500 adultos com síndrome de Down se inscreveram em 2018 para concorrer as 21 vagas. Através da gravação de um vídeo, cada inscrito precisou defender e argumentar o porquê merecia ser escolhido. Em março deste ano, foi realizado no Rio de Janeiro, a seletiva presencial, que contou com uma turma de jurados formado por professores, artistas e influenciadores do movimento inclusivo. Eles tiveram a difícil missão de escolher os participantes, avaliando a singularidade de cada inscrito, não os favorecendo em decorrência de suas habilidades. Um dos requisitos da seleção foi a demonstração de um desejo verdadeiro por estar na casa e originalidade na gravação do vídeo. A seleção também obedeceu ao critério da pluralidade das regiões, ou seja, selecionando participantes inscritos de todos as regiões do Brasil.


PRIMEIRA EDIÇÃO

A primeira edição realizada em 2018, teve resultados surpreendentes, como a conquista da moradia independente pelo escritor Vinicius Streda. O experimento será transformado em objeto de pesquisa científica, liderado pelo cientista Dr Fernando Gomes e sua equipe juntamente com a neurocientista Marilene Silva. O objetivo é comprovar como um ambiente positivo é capaz de melhorar a estima de pessoas com deficiência intelectual e potencializar sua autonomia. O experimento também vai ser transformado em um DOC série, dirigido por Teresa Lampreia e Bia Oliveira. O roteiro é de Lalo Homirch. A primeira edição virou um documentário, premiado em Hollywood e hoje disponível na Amazon.


SAIBA MAIS

A falta de oportunidades adequadas às dificuldades encontradas em cada marco do desenvolvimento humano, associada a um ambiente pouco desafiador e de superproteção, podem ocasionar na ausência de autonomia que são essenciais para o desenvolvimento cognitivo de qualquer indivíduo. Muitas vezes, a pessoa com deficiência intelectual, não consegue identificar o resultado de suas ações durante as experiências diárias devido a uma rotina de proteção e preconceitos.


A Expedição 21 é uma experiência que nos mostra a influência do ambiente positivo no desenvolvimento de cada participante e as implicações no comportamento emocional para a construção da autonomia. “Na contramão dos discursos que insistem em procurar explicações biológicas, catalogar sintomas e comportamento padrão, a Expedição 21 nos proporciona pensar que os limites estão nas situações culturais que nos envolvem e que muitas vezes atribuem a característica da deficiência o caráter da impossibilidade”, conclui Alex Duarte, criador da Expedição 21.


A nova edição contará com a participação especial da atriz Carla Diaz que, além de interagir com os participantes, deve anunciar, ao fim do reality, o grande vencedor da edição.


CONFIRA A LISTA DOS SELECIONADOS DA 2ª EDIÇÃO 1-​CAIO FREITAS- (SP) 2-​CACAI BAUER (PE) 3-​GABRIEL MACHADO- (SP) 4-​GEORGIA BERGANTIN – (SP) 5-​IVY FARIA (RJ) 6-​JUSSARA BERNARDO (SC) 7-​LAIS SOUZA- (BA) 8-​LARISSA CERATTI (RS) - CACHOEIRA DO SUL 9-​LUISA CAMARGOS- (BH) 10-​MARCOS NASCIMENTO (MG) 11-​MARIANA AMATO- (SP) 12-​PEDRO AZEVEDO (RJ) 13-​PEDRO RATTES (GO) 14-​RAFAEL SLEIMAN (SP) 15-​RAFAELA DELGADO- (GO) 16-​SILVIO DA SILVA- (PE) 17-​STEPHANIE BRAGANHOLO(PR) 18-​STHEPHANY SANTOS (AM) 19-​TATIANE MORAES (RJ) 20-​VICTOR BENTO (PA) 21-​VITÓRIA MESQUITA- (DF)


Quem é ALEX DUARTE?

Alex Duarte é graduado em Comunicação Social, empreendedor social e diretor do filme e projeto Cromossomo 21. Há sete anos é palestrante na área e inclusão e autor do livro “Do Diagnóstico a Independência”. Foi o primeiro jovem no HAITI a documentar a Missão de Paz da ONU, premiado no Festival de Cinema de Gramado. É escritor, formado em Coaching em Orlando/EUA, estagiou na Fundação Roberto Marinho e tem experiência há mais de 4 anos em neurociência, formado pelo Instituto Tânia Zambon.


Em 2016, foi um dos representantes do Brasil na ONU pelo dia internacional da Síndrome de Down e recebeu o título de cidadão brasileiro pela Academia De Letras de São Paulo. Seu filme Cromossomo 21 foi premiado em Hollywood e exibido nos cinemas do Brasil. Alex também é criador da série Geração 21, que relata histórias de pessoas com deficiência que conquistaram a independência.


CROMOSSOMO 21 - O FILME

Vitória é uma garota como todas as outras. Faz faculdade, toca piano e pratica natação. A única diferença é que possui um cromossomo a mais e isso fez com que ela nascesse com síndrome de down. No seu destino, cruza com o sonhador Afonso, um garoto sem a síndrome. O envolvimento desperta na menina a independência e a paixão, e na sociedade um questionamento sobre o envolvimento deste “casal fora dos padrões”.

Prêmios Recebidos:

• Mensão Honrosa no Festival de Cinema de Gramado • Filme em Destaque Los Angeles Brazilian Film Festival em Hollywood • Melhor filme eleito pelo voto popular no Festival de Cinema Internacional De la Mujer • Melhor filme do FICC 2017 – Festival Internacional Cristã, no RJ • Melhor filme eleito pelo voto popular no FICC 2017 • Melhor atriz, Adriele Pelentir, no FICC 2017




Imagens: Arquivo Pessoal

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