• Da Redação

Cachoeirenses são vítimas de empréstimos consignados não autorizados

A Polícia Federal começou a investigar como dados sigilosos de contribuintes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram vazados para financeiras que fazem empréstimos consignados — muitas vezes, sem conhecimento do suposto cliente. Um registro prévio foi aberto pelo delegado Josemauro Pinto Nunes, da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários (Deleprev), em Porto Alegre. O vazamento criminoso de dados reservados da Previdência foi revelado pelo Grupo de Investigação da RBS (GDI).


A reportagem comprovou que uma empresa com sede em Minas Gerais, a Minas Consig, fornece “extrato do INSS online” a quem pagar. Ela oferece dados dos benefícios dos aposentados, tabelas mensais de entrantes (os recém-aposentados) e serviço de obtenção de senhas para o sistema “Meu INSS”. Em todo o segmento bancário, foram protocoladas só no primeiro semestre deste ano 59 mil reclamações sobre créditos consignados irregulares. Em muitos casos, assinaturas dos aposentados são falsificadas, para autorizar empréstimos fraudulentos.


Idec notifica INSS por nova onda de golpes

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), o INSS e o Conselho Nacional de Previdência Social foram notificados pelas fraudes e abusos no sistema de crédito consignado. A pesquisa do instituto mostra que reclamações sobre empréstimos a aposentados e pensionistas do INSS mais do que duplicaram durante a pandemia, com alta de 126%. As queixas vão desde empréstimos não autorizados, cobrança por produtos que não foram contratados, descontos indevidos na folha de pagamento, entre outros. As reclamações cresceram ainda mais, dizem especialistas, após a medida que possibilitou o aumento para 40% da margem de endividamento.


EM CACHOEIRA DO SUL

Somente no município de Cachoeira do Sul, há dezenas de casos dessa natureza. O advogado cachoeirense Antônio Freitas Júnior, enfatiza que dentre os cerca de 30 processos que possui com esse mesmo problema, em um cliente seu específico recentemente julgado, o Poder Judiciário local cancelou um suposto contrato entre uma instituição financeira e uma aposentada, condenando o banco a devolver as parcelas descontadas indevidamente em dobro, além de condenação por dano moral no valor de 3 mil reais.


“O banco não comprovou onde foi feito o contrato e as próprias assinaturas, já que a pessoa nunca esteve naquela cidade. Através da assinatura feita em um empréstimo, as consignadas vão replicando as assinaturas em vários outros contratos e os dados vão sendo repassados. Essas empresas que fazem esse contato são empresas de informação. Somente em Cachoeira, existem vários casos nessa mesma condição. O MP deveria investigar”, ressalta o advogado.


CUIDADOS NECESSÁRIOS

Junior enfatiza que é necessário que os filhos verifiquem o histórico e o extrato bancário dos pais e dos avós para saberem se está tudo certo. “O ideal é acompanhar regularmente no Meu INSS, os extratos de empréstimo consignado para se ter conhecimento do que realmente está vigente. Os filhos devem conversar com os pais para ter esse cuidado e controle, pois muitos golpes vem acontecendo. É preciso cuidar, verificar os históricos, pois muita gente tem sido afetada em Cachoeira”, frisa o advogado.


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