• Da Redação

Confira a tendência para os preços da soja nesta semana

Com a colheita da soja na reta final no Brasil e a provável safra recorde praticamente confirmada, as atenções do mercado se voltam à nova safra dos Estados Unidos. Paralelamente, investidores também acompanham os trabalhos de campo na Argentina e a demanda da China.

Abaixo, o analista Luiz Roque, da Safras Consultoria, indica os principais pontos de atenção para esta semana, que podem mexer com os preços da oleaginosa.

  • Chicago ganhou muita força nesta última semana diante do frio intenso que atingiu boa parte do cinturão produtor norte-americano nos últimos dias;

  • Esse quadro de temperaturas muito baixas traz atrasos para os trabalhos de plantio de soja e milho, além de ser desfavorável para a germinação das lavouras já semeadas;

  • Embora ainda seja muito cedo para definições, o mercado climático dos EUA começa a demonstrar uma volatilidade e sensibilidade amplificadas pelo fato de que os estoques norte-americanos de soja devem encerrar a temporada em níveis bastante apertados;

  • Essa maior sensibilidade a possíveis problemas climáticos deve continuar pelos próximos meses até a finalização da colheita da nova safra, o que deve manter o mercado bastante volátil, principalmente durante o desenvolvimento das lavouras;

  • Além disso, há preocupações com a umidade dos solos em alguns importantes estados produtores como as Dakotas, Nebraska e Iowa. Esse quadro leva a uma maior necessidade de chuvas regulares durante o período de desenvolvimento das lavouras;

  • Na América do Sul, os trabalhos de colheita da nova safra argentina continuam atrasados, e as perdas produtivas ainda podem aumentar se o clima não ajudar;

  • Os mapas ainda apontam para algumas precipitações nas principais províncias produtoras nos próximos dias, o que pode continuar atrapalhando o avanço das máquinas;

  • Entendemos que o mercado parece estar exagerando um pouco na especulação sobre uma possível menor produção nos EUA devido a esses problemas iniciais no clima. Lembramos que os trabalhos de plantio começaram dentro da janela ideal para a soja, e que há tempo hábil para compensar possíveis atrasos e replantios;

  • De qualquer forma, esperamos muita volatilidade daqui para frente, e entendemos que o mercado estará muito mais sensível a problemas produtivos nesta temporada.

China vai continuar comprando soja

Embora as condições de clima estejam no centro das atenções do mercado de grãos, a demanda chinesa por soja também continua a ser acompanhada muito de perto pelos traders. O objetivo agora é entender onde as próximas compras serão feitas pela nação asiática diante da disparada das cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago, as quais estão em suas máximas desde 2013.


"A China não deve comprar soja (2020/21) até setembro nos Estados Unidos porque está muito mais cara do que o produto do Brasil", explica Ginaldo Sousa, diretor geral do Grupo Labhoro. O especialista afirma ainda que, além dos preços, os chineses agora estão bem abastecido e não precisam "correr" para garantir grandes compras da commodity.


Sousa complementa citando as questões dos prêmios para a soja norte-americano, atualmente na casa dos 75 centavos de dólar por bushel sobre as cotações praticadas no mercado spot em Chicago no Golfo, enquanto no Brasil esses valores ainda testam posições na casa de 15 centavos negativos, o que segue, portanto, sendo um diferencial importante na tomada de decisão por parte dos compradores.

"A China deve consumir, pelo menos, 105 milhões de toneladas de soja e não vai deixar de comprar do Brasil. Essa demanda não vai cair porque já está programada", afirma o diretor da Labhoro. No entanto, se tratando de China é difícil prever o quanto ainda deverá ser adquirido nestes próximos meses.

Ainda assim, Sousa afirma que o volume de aproximadamente 30% da soja 2020/21 do Brasil ainda a ser comercializada nos próximos meses não será comercializada com dificuldade. "E o produtor não precisa se preocupar, os preços, nesse momento, não vão ceder fortemente", diz. "A tendência é de que busquem os US$ 16,00 em Chicago e no mercado físico americano a soja está valendo ouro".

Foto: Divulgação


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