• Da Redação

Dia do Agricultor: Saúde se aproxima de ser o foco da agricultura

Saúde, satisfação, emoção. A agricultura pode oferecer isso e muito mais. Pode trazer renda e manter os filhos por perto, dando seguimento à nobre missão de promover a vida e a saúde das pessoas através do alimento seguro, em qualidade e quantidade defendidas pela tão propagada segurança alimentar sustentável.


A cada ano, a data que celebra o ser Agricultor ou Agricultura, 28 de julho, reforça a importância de garantir o “alimento nosso de cada dia” e, nesse momento, o papel da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) prestado pela Emater/RS-Ascar há 65 anos fica evidenciado na busca pela melhoria das condições de vida e de produção no meio rural.


“Ser agricultora é um prazer muito grande, por poder cuidar da terra. O que me mostra que estamos nesse caminho certo é que esse cuidado volta na forma de saúde. A gente vê que os pais, apesar de mais de 60 anos, não têm colesterol, nem diabetes ou hipertensão, nada dessas doenças tão comuns em pessoas dessa idade. Como agricultora ecologista, a gente vê também que não precisa consumir nenhum tipo de remédio de farmácia, mas pode tratar todos os problemas com remédios que vêm da natureza, da terra”. A avaliação é de Franciele Bellé, jovem agricultora de Antônio Prado, 26 anos, coordenadora da Associação Agroecológica, que realiza a Feira de Agricultores Ecologistas do Bonfim. Para ela, a maior alegria é ver que os três filhos não adoecem, mal se gripam. “Percebemos que, em oito anos, idade da nossa filha mais velha, e os demais têm seis e cinco anos, eles mal sabem o que é um médico, um hospital, o que é tomar remédio. Não tomam antibióticos, não precisam buscar ajuda da medicina, porque têm uma alimentação boa, vivem num ambiente tranquilo e seguro, que traz todos esses benefícios para a vida deles”, diz Franciele, ao salientar que “esse retorno da natureza em forma de saúde é o que faz valer a pena todo esse processo de produzir alimentos saudáveis e todos os esforços que a gente faz. A mãe sempre diz que ‘quem dá recebe, quem cuida é cuidado’. Esse é o segredo da vida na natureza”.


No Sul do Estado, no município de Morro Redondo, a família de Djanira Lopes Nizolli, produtora orgânica em transição, é uma das seis participantes do PAA Municipal, que entregou na semana passada alimentos para 200 famílias em vulnerabilidade social. Há quatro anos começou com uma pequena horta e hoje toda a área é produzida sem o uso de produtos químicos ou agrotóxicos. “É gratificante poder levar à mesa das famílias um alimento com qualidade, orgânico, livre de agrotóxico”.


“O trabalho em meio à natureza, mesmo sendo o mesmo serviço, cada dia é diferente, não tem rotina, e isso é gratificante, pois sempre estamos aprendendo e buscando ser melhor no que fazemos e em como somos”. A afirmação é do pecuarista familiar André da Costa Marks, 38 anos, morador do Rincão São Braz, em Santo Antônio das Missões, na Fronteira Oeste do RS. Ao falar sobre ser agricultor, afirma que o gosto pela atividade da pecuária herdou do pai. Pecuarista familiar, avalia que trabalhar com ovelhas com aptidão para lã e gado de corte, com produção de terneiros em cima de campo nativo do Bioma Pampa, é um aprendizado diário, “onde o tempo de espera é compensado com o resultado do trabalho do conjunto natureza e homem”.


Foto: Emater-RS


Wellinton Rafael Bernardi é outro jovem agricultor e reside em Arroio do Tigre, onde trabalha com a produção de hortifrutis, como alface, temperos, pepino, tomate, laranja, melancia, melão e morangos, entre outros. Comercializa a produção na região Centro-Serra, em supermercados e direto ao consumidor e, através da Associação Sabores da Nossa Terra, acessa programas como o Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o de Aquisição de Alimentos (PAA), atendendo comunidades carentes e escolas municipais. Para ele, ser agricultor é gratificante, pois trabalha no próprio empreendimento rural e faz seu horário. “A saúde nos motiva a produzir, desde 2016, sem ou usando o mínimo de agrotóxicos, entregando ao cliente um produto limpo de resíduos tóxicos”, diz.


A propriedade da família de Wellinton é modelo na região do Alto da Serra do Botucaraí e visitada por muitas pessoas, “que comprovam que a diversificação muda a vida de uma família”, afirma.


Na Região Metropolitana de Porto Alegre, em Viamão, Seleni de Fátima de Lima, 40 anos, casada, mãe de dois filhos, uma de 15 e outro de dois anos, é agricultora familiar há 25 anos, “com muito orgulho, dos quais há 14 anos sou agricultora orgânica”. Para ela, o Dia do Agricultor ou da Agricultora “é marcante e comemorado, porque temos a certeza que a agricultura familiar dá suporte, com o alimento, a grande parte da população brasileira. Trabalhamos muito e nosso dia a dia é bem puxado, mas vale a pena porque contribuímos com alimento saudável e limpo para grande parte da população, o que nos orgulha muito”.

Tchê Peq..png