• Da Redação

Dia do Corretor de Imóveis: a pandemia e a nova realidade do mercado

Em 27 de agosto comemora-se o Dia do Corretor de Imóveis. Um dos efeitos do isolamento social imposto pela pandemia percebido pelos profissionais do setor são os novos hábitos e comportamentos de quem busca comprar ou alugar um imóvel. As pessoas passam mais tempo em casa e podem passar a valorizar mais o seu patrimônio. “Porém também temos um cenário que vem movimentando o nosso mercado: famílias que moram em apartamentos, com filhos pequenos, estão em sua maioria tendo maior dificuldade de enfrentar a pandemia do que famílias que moram em casas com pátios. Isso tem feito com que a busca por casas, tanto de rua quanto em condomínios fechados, sejam o grande foco nas pesquisas imobiliárias e tem sido as campeãs nas transações”, conta o tutor do Curso Técnico de Transações Imobiliárias do Senac EAD e corretor de imóveis, Marcelo Silva Bandeira.


Outro fator que vem chamando muita atenção, segundo o especialista, é o formato home office que tem mostrado para muitas empresas que seu funcionário pode sim ser produtivo a distância. “O colaborador tem visto que, se sua empresa decidiu por incorporar o home office de agora em diante e mesmo pós pandemia, ele não precisa mais se preocupar em morar perto do trabalho (como era o comportamento antes da pandemia). E assim, muitas pessoas estão se dando o luxo de buscar moradias em locais com melhores qualidade de vida. Casas na serra, nas cidades lindeiras da capital e no litoral têm sido o grande alvo do momento. Já que não precisam ir na empresa, por que não morar onde sempre sonharam e trabalhar de lá?”, disse Marcelo.


O docente conta que antes da pandemia o mercado imobiliário vinha dando fortes sinais de retomada, com muitos lançamentos imobiliários sendo ofertados, a confiança do brasileiro estava em alta e já existia fortes indícios de facilitações de crédito pelos agentes bancários no que diz respeito ao mercado secundário (imóveis usados). E agora, em plena pandemia? Existe uma crise no segmento? “Existiu nos primeiros 45, 60 dias. Muito mais em relação ao "medo" de todas as partes do processo. Vendedores não queriam abrir seus imóveis para visitação e compradores também não estavam saindo de casa para as visitas. Porém, com o passar dos dias, os protocolos de proteção começaram a fazer parte do dia a dia de quem atua no setor e fomos entendendo as maneiras corretas de prestar um bom atendimento e ainda zelar pela segurança e saúde de todas as partes. Os meses de junho e julho já são considerados melhores meses dos últimos anos, quando falamos de número de atendimentos e negócios efetivados no nosso mercado, conta Marcelo.


A crise econômica impacta no mercado imobiliário especialmente o desemprego, pois com a falta de renda comprovada fica difícil a obtenção de crédito junto aos agentes financeiros. “De toda maneira, quando falamos do segmento de aluguéis temos mesmo nesses momentos uma boa demanda uma vez que, por exemplo, uma pessoa que perdeu emprego ou passa por dificuldades econômicas, precisa fazer um "downgrade", ou seja, buscar uma locação com valor mais baixo. Logo, isso faz o mercado girar” explica o corretor que acredita que a pandemia deve ser encarada como mais uma lição e com novas perspectivas futuras para o mercado. “Temos a convicção que as pessoas a partir de agora, buscarão espaços mais confortáveis, amplos e arejados. Incorporadoras já estão revendo os layouts dos futuros lançamentos, pensando nestes aspectos. Percebemos também que as vídeo-chamadas tanto pelo WhatsApp quanto por aplicativos como Zoom e Google Meet, vieram para ficar. Estamos com rotinas diárias com reuniões com clientes compradores e vendedores através destas plataformas e tem sido muito eficaz: sem deslocamentos, com segurança”.


Marcelo finaliza com dicas para quem está atuando ou deseja começar a atuar como corretor de imóveis. “Não será o primeiro nem o último momento desafiador do nosso mercado, seja por questões econômicas ou de saúde como a pandemia. O importante para quem já atua no mercado é manter-se sempre estudando e se reinventando. As "crises" vem pra nos ensinar e fortalecer, sabemos que adaptações às vezes são difíceis porém, necessárias. O que posso afirmar para quem busca atuar no nosso mercado é que o mercado vem aquecendo a cada dia, o momento tem proporcionado muitos novos negócios no segmento sendo muito positivo para quem quer viver da profissão. Acredito que todos os corretores precisam ser resilientes e se especializarem em microrregiões e tipologias de imóveis. O mercado precisa de especialistas! Como dica final, trate sempre o colega como parceiro e não mais como concorrentes. O mundo está cada vez mais compartilhado e colaborativo e isso não será diferente na nossa profissão”, finaliza.

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