• Da Redação

Diretor do HCB afirma que hospital trabalha no limite e falta de oxigênio ainda não preocupa

O superintendente do Hospital de Caridade e Beneficência (HCB), Luciano Morschel, participou de uma live organizada pela Comissão de Saúde na Câmara de Vereadores, na tarde desta quarta-feira, 24 de março. Na oportunidade, levou dados da pandemia e do enfrentamento do hospital atualmente. Após o pico obtido somente em dezembro no ano de 2020, quando a UTI que foi programada para atender 10 pacientes lotou, Morschel enfatiza que as pessoas relaxaram em janeiro e fevereiro, período de férias e viagens. Com isso, a partir da metade de fevereiro começaram os resultados com a super contaminação e super ocupação dos hospitais, especialmente no caso de Cachoeira do Sul.


Além da maior exposição, deve-se considerar o surgimento da nova variante, a P1, que é uma das mais agressivas do mundo, com diversos casos confirmados no Rio Grande do Sul, inclusive comunitários. Estudos científicos trazem informações de que é mais agressiva e possui poder de contaminação muito maior, o que leva a se ter mais pessoas doentes e indo a óbito.


O Rio Grande é local que possui que possui atualmente os casos mais graves de contaminação do Brasil. Em dezembro, a média era de 27 casos novos de coronavírus por dia em Cachoeira. Atualmente são 83, ou seja, três vezes mais que o pico anterior. Na última semana, Morschel afirma que se esperava que os casos começassem a reduzir no município, após as três semanas de restrições na bandeira preta, o que não ocorreu. "Até então não tem mostrado redução e portanto, estamos no pico de casos novos e de infecção em Cachoeira do Sul, assim como o resto do estado", destaca.



SITUAÇÃO CAÓTICA


Para Morschel, a criação do centro de triagem foi muito importante, mostrando que Cachoeira se estruturou bem no combate a pandemia. O pico de atendimento ocorreu em dezembro com 49 atendimentos. Em março, a média está de 103 atendimento, ou seja, mais que o dobro. "As pessoas estão ficando mais doentes.


Tivemos um número mais acentuado no início do mês, baixando um pouco depois pois começamos a orientar que os casos mais simples fossem tratados em casa, direcionando os atendimentos da triagem aos casos mais moderados. Com isso, o hospital começou a encher. Os 10 leitos da UTI Covid foram ocupados.


Posteriormente foram abertos 7 leitos extras junto à UTI que também estão lotados. Neste momento estamos com seis pacientes graves que precisariam de UTI mas que estão no pronto atendimento Covid do HCB, que é um local que não possui estrutura de cobertura integral como a UTI", informa.


SUPERLOTAÇÃO


Segundo Morschel, por essa razão, foi necessário implantar um plano de contingência, já que conforme a ocupação do hospital vai aumentando, o mesmo deve reduzir o atendimento às outras doenças não relacionadas a Covid. Os atendimentos que não são emergência estão sendo direcionados para a UPA.

"Estamos numa guerra, não tem como transferir pacientes, pois não tem vagas em outros lugares. Temos que atender essa demanda com a estrutura que temos aqui. A demanda continuou alta mesmo com as três semanas de bandeira preta, pois não baixou o número de contaminados. Não sabemos se terá redução da ocupação hospitalar enquanto não reduzir o número de contaminados. Nesse cenário de guerra, vamos seguir atendendo dessa maneira. Embora somos referência para a 8ª Coordenadoria Regional de Saúde, faz semanas que não conseguimos receber mais pacientes em razão da lotação. Os municípios da região também estão sofrendo, com pacientes graves internados na emergência deles", destaca.


HCB LOTADO DE CACHOEIRENSES


Conforme Morschel, no momento a UTI e a enfermaria está ocupada somente por cachoeirenses. "As estruturas estão no limite e não sei por quanto tempo isso vai ser suportável, pois não vemos os casos reduzindo. Nisso estão inclusas as questões estruturais como os medicamentos que estão sendo insuficientes para a alta demanda do momento. O que ficava em estoque 60 dias antes de dezembro, agora chega a ficar apenas dois dias e a indústria afirma não ter capacidade para toda essa demanda, além do custo que subiu 10 vezes mais no caso de alguns medicamentos.


TRABALHANDO NO LIMITE


O hospital é regional, mas Cachoeira possui escassez de médicos. O corpo clínico de médicos no HCB hoje atua no limite. Não consegue fazer mais do que isso. Não temos condições de criar novos leitos, estamos improvisando leitos, sem contar nas outras equipes das mais diversas áreas dentro do hospital que estão atuando no limite. O sistema está estressado, o momento é caótico.

SOBRECARGA NO SISTEMA


Quanto aos equipamentos, Morschel esclarece que foram adquiridos um bom número de respiradores e o HCB está utilizando em torno de 30. O hospital direcionou boa parte da sua estrutura que era para atender outras doenças, para atender pacientes Covid. O consumo do oxigênio foi duplicado, onde antes eram abastecidos a cada 10 dias, e agora tem que ser abastecido a cada quatro dias.


"Estamos vivendo um sobrecarga de todo o sistema hospitalar. Os problemas são estruturais. Como no fornecimento de medicamentos, devido ao alto consumo. No caso do oxigênio, o que utilizamos no HCB nos é fornecido através do abastecimento do nosso tanque que tem capacidade de 150 polegadas. Estamos trabalhando com uma margem de segurança 50 polegadas. O consumo era de 9 polegas/dia, hoje o consumo está em 26 polegadas/dia, triplicando o consumo do oxigênio. Antes, as 100 polegadas (que trabalhamos atualmente) tinha estoque para 11 dias de consumo, agora caiu para 4 dias", afirma.


"Portanto nosso abastecimento de oxigênio esta sendo realizado com mais frequência e não tivemos nenhum comunicado da empresa que nos presta este serviço que terá desabastecimento. Mesmo trabalhando com margem de segurança no consumo de oxigênio, estamos atentos e preocupados, pois o problema é estrutural e excepcional atingindo todo o sistema hospitalar do Brasil", declara Luciano Morschel.

Foto: Divulgação

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