• Da Redação

Estado formaliza Centro de Emergências de Enfrentamento ao Aedes aegypti

O Centro de Operações de Emergências (COE Arboviroses) para o enfrentamento à dengue, chikungunia, zíka virus e febre amarela no Rio Grande do Sul foi oficializado nesta terça-feira, 25 de maio, em ato virtual reunindo representantes de órgãos e instituições que o integram, conforme a portaria nº 406/2021, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE). “Precisamos de uma grande mobilização para reduzir a crescente circulação do mosquito Aedes aegypti, transmissor das arboviroses em áreas urbanas”, afirmou a secretária da saúde, Arita Bergmann. De acordo com Arita “é necessário o envolvimento não só dos gestores públicos, mas de toda a comunidade”.


O número de casos de dengue tem aumentado consideravelmente. O mais recente Informativo Epidemiológico divulgado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) aponta 5.790 casos de dengue, sendo 5.625 autóctones e 165 importados. O RS já registra 8 óbitos por esta doença em 2021, concentrados nos municípios de Santa Cruz do Sul, Bom Retiro do Sul, Aratiba e Erechim. Ao todo, já são 144 municípios em alerta, conforme o levantamento dos índices da presença do inseto realizado pela Divisão de Vigilância Ambiental do CEVS.


O COE é formado por representantes de diretorias da SES, secretarias da Educação, Agricultura, Meio Ambiente, Agapan, Brigada Militar, Conselho Estadual de Saúde, Conselho de Secretários Municipais de Saúde, Federação das XXX Municípios do RS, Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, Ibama e Fiocruz, entre outros. Em breve, portaria será publicada incluindo representação de hospitais. “É importante incluir a área hospitalar e, posteriormente, outras entidades privadas e públicas para subsidiar os trabalhos no que for necessário”, disse a secretária Arita.


Neste ano, o Estado já declarou Emergência em Saúde Pública devido à circulação do vírus da Febre Amarela e orientou a intensificação da vacinação contra esta doença. A SES também publicou um manual de prevenção ao Aedes direcionado para os serviços da Atenção Primária nos municípios. Por meios das coordenadorias de saúde, principalmente na região de Santa Cruz do Sul, tem incentivado e apoiado o uso de inseticida para combater a proliferação do inseto. Ações educativas de limpeza ambiental também estão sendo executadas.


O ato de formalização do COE Arboviroses contou com a participação de representantes de diversas esferas do setor Saúde, como Ministério da Saúde, Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e do Grupo Hospitalar Conceição.


Leia a Portaria SES 406-2021- Institui o Centro de Operações de Emergência -COE -Arboviroses


RS já registra maior volume de casos autóctones de dengue dos últimos 10 anos

Além da pandemia da Covid-19, outra situação preocupa o Rio Grande do Sul: a infestação do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, o aumento significativo de doenças como a dengue. Até o momento, conforme levantamento da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS), o Estado já apresenta o maior numero de casos autóctones (contraídos dentro dos municípios) da última década.


Segundo o último Informativo Epidemiológico da SES/RS, o território gaúcho já contabiliza 5.790 casos de dengue, sendo 5.625 autóctones e 165 importados e, ainda, 669 casos continuam em investigação. Além disso, foram registrados sete óbitos em decorrência da doença e um está em investigação. Do total de casos autóctones, 83,2% estão concentrados em quatro cidades gaúchas: Aratiba, Erechim, Santa Cruz do Sul e Bom Retiro do Sul.


Em relação às características quanto a sexo dos casos autóctones, houve predomínio no sexo feminino (53% dos casos) e, em relação a faixa etária, a de maior número de casos autóctones foi dos 30 a 39 anos (18,1%). Assim como no restante do país, os casos de dengue autóctones registrados no Estado, em 2021, apresentaram sintomatologia clássica, com prevalência de febre, cefaleia (dor de cabeça) e mialgia (dor muscular) na maioria dos casos. Também foram registradas queixas como náuseas, dor nas costas e exantema (irritação na pele).

Ao longo de todo o ano de 2020, foram confirmados 3.229 casos da doença. Ou seja, em menos de seis meses, o aumento no número de casos de dengue no Rio Grande do Sul foi de 79,31%. Segundo a SES/RS, os casos de dengue são notificados em todos os meses do ano, embora haja um aumento durante a sazonalidade da doença que ocorre entre os meses de novembro a maio.


Outro ponto que acende um alerta para o Estado é o número de municípios infestados por Aedes aegypti. Em uma série histórica de 2000 até 2021, conforme o informativo da SES/RS, o Rio Grande do Sul registrou crescimento de 83,3% no número de municípios infestados pelo mosquito. No ano 2000 eram 14 municípios, em 2010 esse total subiu para 62 e, agora em 2021, já são 414 cidades com registro de infestação do Aedes aegypti.


De acordo com a chefe da Divisão de Vigilância Ambiental do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Aline Campos, a expectativa é de que nos próximos meses a incidência da doença diminua um pouco, principalmente por conta das temperaturas mais baixas, o que reduz a atividade do mosquito. "Foi uma conjunção de fatores, a dengue é multifatorial e está ligada ao lado social, onde há mais depósitos, há mais mosquito", explicou.


Conforme Campos, o quadro da pandemia também influenciou na infestação e no aumento do número de casos. "Os municípios tiveram que diminuir o trabalho que é feito pelos agentes de combate a endemia, eles não fizeram visitas e se limitaram a trabalhar do lado de fora das casas e orientando as pessoas", detalhou.


Além da dengue, Campos reforçou ainda o avanço importante de doenças como a Febre Amarela e as outras provocadas pelo mosquito Aedes aegypti como Chikungunya e Zika Vírus. "Isso demonstra que o clima esse ano está favorável para vetores, mais do que nunca a gente está precisando da participação social, o engajamento da nossa população é essencial", pontuou. Sobre a Febre Amarela, Campos ainda ressaltou que desde 2018, todo o Rio Grande do Sul é área com recomendação para vacinação da Febre Amarela. A vacina contra a Febre Amarela faz parte do calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pode ser encontrada nas Unidades de Saúde da Atenção Primária.


A recomendação geral para a população é que seja feita limpeza constante dos pátios das residências e dos pratinhos das plantas, bem como dos potes de água para animais. Campos também indicou que as pessoas façam uso de repelente, uso de tela e que não deixem a casa aberta nas horas de maior atividade dos mosquitos: ao entardecer e ao nascer do dia.

Foto: Governo RS

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