• Da Redação

Hilton De Franceschi | Zé, e agora?

Na política, assim como nos grandes clubes de futebol, em especial no Brasil, não rara às vezes, no menor vacilo, os torcedores fuzilam seus ídolos ao voltarem para casa após várias temporadas fazendo sucesso em outros campos.


Mesmo que o retorno seja esperado, a chegada festiva e o entusiasmo comovente, assim que a bola começa a rolar, o torcedor quer mesmo é rever as grandes jogadas e vai exigir vitórias e títulos. No primeiro fracasso, toda aquela euforia da acolhida, inevitavelmente, vai se transformar rapidamente em vaias, ofensas e muitas vezes em injustificadas agressões.



Não há desculpas, nem tolerância, caso as jogadas geniais não acontecerem com a frequência desejada. No primeiro passe errado ou em um gol perdido, os torcedores não hesitarão, aos gritos, o chamarem impiedosamente de burro, mercenário e tantos outros adjetivos nada carinhosos.


Basta o time não ganhar, já na primeira derrota, claro, a culpa será do mercenário. Não importa que ele tenha voltado para o time do coração, como jogador ou treinador para ajudar, a intolerância do torcedor virá em forma de protestos, de vaias e muito barulho.


Zé, e agora? Os cachoeirenses que te viram crescer, como promessa de craque, acompanharam a tua trajetória de sucesso longe daqui, parecem não ter se importado com algumas jogadas de canela, te acolheram como um ídolo, um craque na arte de fazer política, mas vão cobrar. Mais do que cobrar, vão exigir lances desconcertantes e jogadas menos convencionais.


A grande massa de eleitores, que mais parecia torcedores, votou e o consagrou como nosso grande comandante. Porém, rapidamente vão se somar aos vencidos, em maior número, assim que anunciar a escalação do primeiro time que vais mandar a campo agora em janeiro. Ah, e se os resultados iniciais não forem satisfatórios, como nos times de futebol, permanecer no cargo vai exigir muita energia, desgastes e dessabores. Os torcedores até podem ser intolerantes e passionais, os eleitores não. Esses têm fome e sede.


Zé, as pessoas estão esperando por mudanças, somos uma cidade perdedora, com uma autoestima muito baixa, precisamos somar pontos urgentemente. Os nossos vizinhos, com quem até pouco tempo rivalizávamos, hoje estão longe à nossa frente em número de empregos, de renda e de qualidade de vida.


Prefeito, para que voltemos a ter vitórias, mais do que escalar um time com caras novas, é urgente ter estratégias novas e gente com o perfil para jogar diferente. Se fizeres as mesmas coisas, vais obter, por óbvio, os mesmos resultados e o sucesso do passado pode não ser o suficiente para mantê-lo confortável no cargo.


Tenham todos uma boa semana.


Hilton De Franceschi

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