Moradores dizem estar “presos” após novo trevo da UFSM bloquear acesso em Cachoeira do Sul

Mais de 40 famílias das comunidades da Estrada da Guerquelândia e arredores, na localidade da Ferreira, em Cachoeira do Sul, afirmam estar “presas” em suas próprias casas após a execução do novo trevo de acesso ao campus da UFSM, na estrada da Ferreira.
Segundo os moradores, o projeto, realizado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) e executado pela empresa Ditrevi, de Santa Cruz do Sul, não previu acessos adequados para quem vive na região, obrigando deslocamentos muito maiores e inviabilizando a circulação de veículos de grande porte.
O morador Luis Roberto Santos Morais relata que, para acessar a rodovia no sentido da cidade, agora é preciso percorrer mais de dois quilômetros até o trevo da Ferreira ou fazer desvios pelo aeroclube. Além disso, caminhões agrícolas, ônibus escolares e veículos de transporte de animais enfrentam dificuldades para manobrar no local. “Caminhões agrícolas, ônibus escolares e veículos de transporte de animais enfrentam sérias dificuldades. Até mesmo para serviços básicos, como ir ao supermercado ou buscar atendimento de saúde, estamos prejudicados. Essa situação precisa ser divulgada e resolvida com urgência, pois estamos, literalmente, presos dentro de casa”, reclama.
O vereador Serginho Quoos (PSDB) informou que está protocolando um ofício no Ministério Público (MP), acompanhado de abaixo-assinado dos moradores e imagens aéreas do local, solicitando a suspensão imediata da obra até a empreiteira do DAER faça os ajustes técnicos necessários. "Tenho uma reunião às 17h desta quinta-feira com a promotora Débora Jaeger Becker, onde entregarei os documentos e o abaixo-assinado", explica.
Ele alerta que o trancamento impacta não apenas sobre os moradores, mas também atividades de lazer e economia da região, pois a região conta com hotelarias de cavalos, transporte de produtos agrícolas diário, além da futura instalação da Associação de Motociclismo de Cachoeira do Sul (AMOCA) e do Cachoeira Jeep Club próximo da região. "Caminhões e carretas não têm como manobrar no novo acesso e os moradores ficaram sem alternativa segura para entrar e sair. Já estamos acionando o Ministério Público e recolhendo assinaturas para pedir a suspensão imediata da obra, antes que seja concretada, para que ajustes técnicos sejam feitos. É um problema de utilidade pública, pois o direito de ir e vir dessas famílias foi simplesmente ignorado. Vamos aproveitar que a empreiteira ainda está no local é fundamental para corrigir essa falha grave", destacou Serginho.
A obra, orçada em R$ 1,13 milhão e financiada parcialmente com R$ 300 mil repassados pelo Programa Pavimenta 2 do Governo do Estado, inclui pavimentação, ciclovia e faixa de caminhada. O prefeito Leandro Balardin destacou, na ocasião do anúncio, que o projeto melhoraria a mobilidade e a segurança no acesso ao campus da UFSM. No entanto, a comunidade afetada afirma que o planejamento desconsiderou a existência do corredor da Guerquilândia, utilizado há mais de 25 anos.
O DAER e a Prefeitura foram questionados sobre possíveis soluções e prazos para readequação dos acessos, mas até o fechamento desta edição não houve manifestação. Enquanto isso, moradores pedem providências urgentes para que o tráfego local seja restabelecido antes da conclusão definitiva da obra.

















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