• Da Redação

Nilton Santos | Retiro do Corpo e Espírito

De repente nosso mundo encolheu. Os limites, antes vastos, recuaram para o interior de nossas casas, na melhor das hipóteses até o portão. Antes da pandemia já vivíamos uma espécie de isolamento em decorrência da insegurança que nos foi imposta pela crescente criminalidade. Agora estamos trancados em casa ouvindo, vendo e lendo opiniões diametralmente divergentes sobre qual o melhor a fazer para não sermos infectados e, benza Deus, morrermos por um vírus que biologicamente parece assumir comportamentos diferentes em cada região do planeta, retirando com isso a possibilidade de qualquer prognóstico sobre a sua evolução e, via de consequência, o futuro de nós humanos sobre a face da terra.


Mas como tudo tem dois lados e, para aqueles que podem de alguma forma levar a coisa como tão somente como um retiro forçado, o momento é propício para repensar nossas vidas, o que infelizmente é impossível para grande parte da população passa fome já que ela retira qualquer possibilidade de soltar a mente para divagar sobre qualquer coisa que não seja um prato de comida. Se temos a ventura de ter o que comer aliado ao tempo que antes não se tinha e agora sobra, o momento é ímpar no sentido de nos colocar diante de nós mesmos e àqueles que nos rodeiam; para fazer revisão - e quem sabe faxina - quanto ao nosso comportamento diante de nós mesmos, dos outros e da vida. Uma coisa ao menos para mim ficou bem nítida: precisamos de muito menos do que imaginávamos para estar bem, portanto, não é no que podemos ou não podemos comprar ou frequentar, que reside o estado de satisfação. Que os bens materiais, com exceção do necessário à subsistência, não possuem nenhuma relação com o nosso bem-estar. No máximo podem nos trazer a sensação de satisfação, e só!

Jamais irão se agregar aos nossos alicerces para nos tornar mais resistentes aos tombos que a vida dá. As grandes tragédias da humanidade sempre serviram como portais para novos tempos nas relações humanas, portanto, se absorvermos que somos extremamente frágeis, que podemos e devemos ajudar quem necessita pois nem eu, você, ninguém (!) está totalmente seguro nesse planeta; que o universo não gira ao redor do nosso umbigo, certamente sairemos dessa mais evoluídos e quem sabe mais humanos.


Autor: Nilton Santos

Foto: Divulgação

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