• Da Redação

Nilton Santos | Também se morre por ignorância

Aos poucos a cidade e o país vão retomando o seu movimento, muito mais pelo impulso de querermos retornar à "normalidade" de antes depois de mais de um ano de privações, vai e vem de toda a ordem e protocolos feitos e refeitos, do que por garantia de que o pior já passou, mesmo porque, mais de quatrocentas mil vidas foram até agora ceifadas pelo vírus, nos alertam de que ainda é necessário muita cautela, principalmente para os jovens que hoje somam grande parcela no número de óbitos, contrariando as primeiras informações que nos passaram de que crianças e adolescentes, se infectados, no máximo, sentiriam leve desconforto como certa vez alardeou o hoje sumido Osmar Terra.


Foram tantas as sentenças desmentidas ao longo do tempo que passamos a desconfiar de tudo, inclusive da vacina, numa reprise da chamada "Revolta da Vacina" ocorrida na passagem do século XIX para o século XX, no Rio de Janeiro, reincorporando os negacionistas do passado que, como os atuais, foram vencidos em suas ignorâncias pela ciência que insistiam em negar. Além disso e para incrementar ainda mais a crise, alardeou-se a crença de que tratamento preventivo seria a solução, o que até hoje não obteve respaldo algum pela comunidade científica, mas mesmo assim, por viés puramente ideológico, se tornou a "verdade" que, ao invés da proteção alardeada de modo indiscriminado e irresponsável, porque ninguém vai me convencer que se coaduna coma ética médica prescrever receita para milhões sem referir a existência de contraindicações, mesmo porque para muitos remédio pode ser veneno.


Para virarmos a página e retomarmos o curso de nossas vidas, antes de acreditarmos em conselhos que tem muito de bravata, jogo para a torcida, irresponsabilidade e nada de ciência, que sigamos as orientações que comprovaram eficácia no combate ao vírus, para que no futuro não sejamos comparados aos ignorantes negacionistas do início do século passado que também achavam que a vacina poderia lhes transformar em jacaré.

Nilton Santos.


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