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Hilton De Franceschi | Há Cofres e Cofrinhos

  • Foto do escritor: Lenon Quoos
    Lenon Quoos
  • 3 de nov. de 2020
  • 2 min de leitura

Sabíamos todos que não era preciso, desculpe a indiscrição, ir tão a fundo, como foram os agentes da Policia Federal, ao abordarem o senador da República Chico Rodrigues, para encontrarem dinheiro sujo. Foram tantos os escândalos envolvendo figuras públicas nos últimos anos, que a nova geração, perigosamente, começa a entender política como sinônimo de sacanagem.


Quando a Polícia Federal descobriu que o ex. assessor do ex. presidente Michel Temer, Geddel vieira lima, que ao perder a noção de todos os limites da indecência, alugou um apartamento inteiro só para armazenar o dinheiro roubado, achei que o fato viraria um escândalo de proporções amazônico, mas não, o tema inspirou os humoristas e nós, inocentemente, nos divertimos com as piada que não deveriam ter graça.


É claro que há cofres e cofrinhos, afinal existem pessoas com mais outra com menos posses, com mais medos ou menos medos, portanto, nada mais justo que a indústria fabricasse os utensílios para atender essas demandas. Sempre soube, acho que é de domínio público, que o orifício localizado entre as nádegas tinha o apelido de cofrinho, mas o que realmente surpreendeu a todos nós foi o fato do senador Chico Rodrigues levar o assunto ao pé da letra. Teria ele sido criativo e decidiu guardar o dinheiro em seu cofrinho íntimo, justamente porque o dinheiro era sujo?

Um cidadão de bem não pode perder, jamais, sua capacidade de indignar-se. Não fosse o senador um homem público, eleito com o voto popular, com poderes e prestigio para interferir nas nossas vidas, não estaríamos nós preocupados com os fetiches mais íntimos do parlamentar, tão pouco com o, ainda que inusitado lugar, onde ele pudesse estar guardando o seu dinheiro.


Até quando vamos suportar? Qual é o limite da nossa tolerância? Ou estamos nós, de vexames em vexames, entendendo ser esse o nosso novo normal? Que me desculpem, mais uma vez, os vocacionados a perdoarem sempre, aos que possuem uma ilimitada capacidade de compreensão, ou nós reagimos agora ou teremos que, lamentavelmente, nos conformar com a multiplicação desses vexames. Assim como o senador Chico Rodrigues estava, literalmente, cagando e andando com o nosso dinheiro, outros farão o mesmo.


Tenham todos, uma boa semana.

Hilton de Franceschi.



 
 
 

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