Hilton De Franceschi | Oportunidades perdidas
- Da Redação

- 14 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Certamente sou um dos cidadãos cachoeirenses mais inconformados com
a decadência histórica da nossa cidade. Somado ao fato de eu ter nascido e me criado aqui, a condição de professor de história me permitiu entender como e por que algumas cidades evoluíram e outras não.
O meu envolvimento comunitário e empresarial me permitiu viver experiências e testemunhar as inúmeras oportunidades perdidas que justificam o nosso empobrecimento enquanto sociedade. Percorrer os caminhos tortuosos da política me credenciou a apontar, sem culpa, os principais responsáveis pelo
preocupante retrocesso da nossa cidade.
A cada eleição as esperanças parecem se renovar, mas com a omissão e a
repetição dos erros a frustração é inevitável, e por razões óbvias. Estamos
elegendo repetidas vezes políticos com os mesmos perfis: bons de voto,
mas sem vocação alguma para fazer gestão.
Ao repetir a omissão de governos passados, o descaso e a inércia de
sempre justificam, mais uma vez, estarmos perdendo excelentes
oportunidades.

O governo federal investirá mais de R$ 1 bilhão em uma Escola de
Sargentos do Exército. Algumas cidades já se candidataram e estão em
campanha para receber os vultosos investimentos. Cachoeira sequer
tomou conhecimento.
Uma cidade com tantas carências como a nossa não poderia deixar de
acreditar na possibilidade de sermos contemplados, até porque nos
enquadramos em muitos critérios exigidos.
Além da construção de mais de 40 prédios, serão aproximadamente 1.500
empregos diretos para atender uma clientela de mais de 2.200 alunos.
Isso significa um incremento na arrecadação do município na ordem de R$
250 milhões ao ano, quantia nada desprezível para qualquer município.
Mesmo assim, a oportunidade parece não ter sensibilizado as autoridades
de Cachoeira.
Todos nós sabemos que há um componente muito forte, talvez decisivo,
para a escolha definitiva da cidade que vai receber tamanho investimento
federal: o relacionamento político.
E nosso prefeito, que em campanha disse ser amigo do presidente
Bolsonaro, já teria ele ligado e apresentado as credenciais de Cachoeira?
Ainda que tardiamente, mobilizará seus assessores e usará suas
influencias para virar o jogo? Ou fica quieto, na certeza de que a imprensa
amiga não vai valorizar o assunto e que o povo logo esquecerá?
Bem, o povo até pode esquecer, eu não.
Tenham todos uma boa semana.
Hilton De Franceschi















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