• Da Redação

Hilton De Franceschi | Um exemplo a ser copiado

Como cristão, teimo em desacreditar nos significados que são atribuídos às leis da espiritualidade indiana, onde profetizam que tudo o que acontece nas nossas vidas não é um mero acaso.


Para eles, nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Assim como ninguém entra nas nossas vidas por acaso, todos têm, em determinadas situações, algo para nos ensinar. Portanto, todas as situações são perfeitas, todas elas visam o nosso crescimento.


Passei toda a semana na cidade de Gramado, curtindo as belezas de uma das mais lindas cidades do mundo, em um dos seus dias mais especiais, o rigor do inverno gaúcho.



Nos meus momentos de orações e de reflexões, e tempo tive o suficiente, não esqueci, um instante, de agradecer pela oportunidade de poder desfrutar desse lugar mágico, bem como as pessoas que estão ao meu lado.


Estava eu contemplando, talvez, como sabiamente dizem os indianos, aprendendo, vivendo uma nova experiência nada casual quando, nesse ambiente, me dei conta de que Gramado não nasceu bonita, florida, exuberante ou atraente naturalmente. Foram os homens que a transformaram para que, todo ano, seis milhões de turistas venham disputar os espaços cada vez mais aconchegantes dessa pequena cidade.


Diante às inquietações e inúmeros questionamentos que me vem à mente, a cada esquina ornamentada com rotatórias floridas, em substituição aos ultrapassados semáforos ou nas conversas com os nativos, todos orgulhosos dessa cidade que tem pouco mais de cinquenta anos, as comparações com a nossa bicentenária Cachoeira tornam-se inevitáveis.


Porque nossa cidade, com duzentos anos de emancipação, vive um processo socioeconômico decadente? Quem são os responsáveis pelo empobrecimento da nossa gente e a retirada da autoestima de quase todos eles?


Nesses momentos de reflexões me vem à mente não só a indignação, que sempre externei, pelo descaso das autoridades com o atraso da nossa cidade e que agora parece fazer ainda mais sentido, mas igualmente outro pensamento que há muito tempo me inquieta. ¨ Que os meus dias como morador de Cachoeira do Sul talvez estejam mesmo chegando ao fim¨.


Nesta hora me socorro às leis indianas para melhor compreender o momento. Tudo começa na hora certa, quando algo termina, termina. Quando algo acabou em nossas vidas é porque esse ciclo chegou ao fim e, faz parte do nosso aprendizado, deixá-lo ir.


Uma boa semana a todos.



Hilton de Franceschi

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