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  • Foto do escritorDa Redação

Jaqueline Machado |

O paraíso está instalado no interior de cada um. E os anjos só enxergam o que há nos corações... Mas eis que a cobiça e a soberba, com frequência tornam as pessoas brutas e sem luz. O inverso da semelhança do seu Criador.


No livro, Frankenstein, da autora Mary Shelley, o cientista cujo nome vai no título da obra, imerso em seus delírios e vaidades exclama: “Fui surpreendido pelo fato de que dentre tantos homens de gênio que assim como eu, dedicam –se à ciência, somente a mim foi reservado um segredo tão surpreendente”. Tal segredo consistia em dar vida a coisas mortas.


Depois de passar meses confinado num laboratório fazendo experimentos com pedaços de pessoas mortas, de suas mãos, ele vê surgir o milagre. Finalmente o Dr. Victor Frankenstein dá vida e sentido a sua criação.


A façanha estava cumprida. Porém, ao se deparar com aquele ser gigante, de pele amarelada, olhos fundos e lábios enegrecidos, seus nervos se ruborizam de pavor e, ele acaba fugindo da própria obra.


Ao brincar de Deus, a Natureza volta-se contra o cientista e o monstro cuja personalidade era um misto de fera e gente, sentindo –se em completo abandono, parte em vingança assassinando vários membros da família do cientista.


Essa história nos faz refletir sobre a pobre e triste trajetória da humanidade que, dando as costas para a luz, partiu rumo às guerras, aos homicídios, as confecções de bombas, até chegarmos aos avanços científicos atuais, onde o homem revestido em sua tecnologia de ponta está prestes a se auto substituir por uma nação de andróides fleumáticos e artificiais.


Victor, arrependido e imergido nas dores de seu remorso, vai aos Alpes para isolar-se do mundo. Mas como toda ação é portadora de múltiplas reações, ele tornara–se uma espécie de reinvenção do mitológico Prometeu que ao roubar a luz de Zeus para dar aos homens, teve que suportar sentir o seu fígado sendo devorado diariamente por sua própria consciência. A diferença é que Prometeu tinha alguma boa intenção, o homem atual, não.


Em suma, a mensagem de Mary Shelley consiste no seguinte recado:

“Humanidade, não brinque de ser Deus. Seja humilde. Cuidado com suas criações! Se tiver que inventar, invente novas formas de amar. Porque somente o amor perpetua a verdadeira espécie humana e sua felicidade.



Jaqueline Machado

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