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Jaqueline Machado | A casa chamada Brasil

É difícil aceitar que cerca de 50 milhões de brasileiros não desfrutem de seus direitos. E que muitos desses sobrevivam abaixo da linha da pobreza em um país como o nosso, tão rico: privilegiado em biodiversidade, plantações e exportações diversas.


Muitos me perguntam se a desigualdade social é culpa da má governança política. Respondo que sim. Não sou membro de nenhum partido; no entanto, sei que a situação política do Brasil nunca foi simples. Todavia, acho que a culpa é também de cada um de nós que pode ajudar e nada faz. E é claro que agora estou falando de questões que envolvem dinheiro. Patrões, familiares e amigos podem ser gentis e torcer por você.


Mas, ao descobrirem sua situação financeira precária, fogem. Dinheiro é importante. Seria tolice negar isso. O que ninguém explica é que em essência, dinheiro é só papel de troca: não tem vida. Se plantarmos uma cédula de qualquer valor no solo, nada frutificará. Uma nota de cem reais rasgada não compra sequer uma bala. Mesmo assim, muitos transformaram o dinheiro em seu verdadeiro deus. Só a ele poupam, servem, amam e prestam oferendas.

Pessoas avarentas são limitadas em seu pensar. Acham que, se dividirem o pão de hoje, o pão de amanhã faltará à mesa. Mas o que acontece quando ajudamos é o oposto: é doando que se recebe mais da vida. Infelizmente, milhares ainda enfrentam insegurança alimentar todos os dias, enquanto a população brasileira, ultrapassa os 200 milhões de habitantes.


Basta uma conta rápida para que as máscaras do egoísmo caiam por terra, sem argumentos de defesa. O número de gente que tem para oferecer é muito superior ao número que precisa ser ajudada. O mal cresce no mundo e muitos reclamam. Mas reclamar do quê, se a maioria deixa a miséria proliferar em total liberdade?


O exército do bem precisa se impor, dizer de que lado está, abrir o coração, falar de compaixão, plantar a semente da solidariedade e do amor se quiser ver o mundo curado de tantas enfermidades. Quem tem mais deve auxiliar quem tem menos. Muitos dizem: "Se todo rico sair distribuindo o que tem, terminará pobre".


CONCORDO. Mas a questão não é sobre dar tudo o que se tem. É sobre cada um que pode fazer algo por alguém, de forma eficaz e constante, até que não haja mais desigualdade e todo cidadão tenha a oportunidade de viver com justiça e dignidade.


Se cada pessoa com mais recursos apadrinhasse um jovem que não pode pagar a faculdade, custeasse a cirurgia de alguém enfermo, colaborasse na melhoria de infraestrutura, fizesse campanhas no combate ao desmatamento e escolhesse uma comunidade para distribuir cestas básicas mensalmente, a nossa casa chamada Brasil passaria por uma grande reforma.


Mas essas providências não são tomadas porque o olhar da ganância se volta sempre para o próprio umbigo. Egoístas esquecem de olhar na direção certa: para o céu. E de entender de onde vêm, gratuitamente, todas as bênçãos da vida.


Jaqueline Machado.

 

 
 
 

1 comentário


Ione Grillo
20 de mai.

Entendo seu ponto de vista e concordo plenamente que devemos ajudar os menos favorecidos. No entanto, precisamos ter olhos para ver, ouvidos para ouvir, mentalidade para analisar. “Não dê o peixe, ensine a pescar”. Muitos “necessitados” estão deitados em berço esplêndido, só esperando o peixe e se você oferecer apenas um peixe jogam fora porque é pouco. Eu ajudo sim, aqueles que estão lutando por uma vida melhor, que trabalham, que se esforçam. E, para ajudar a esses, uso muito bem meus olhos, meus ouvidos e a minha mente analítica.

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