Justiça Federal coloca à venda áreas da antiga Coriscal em Cachoeira do Sul
A Justiça Federal de Porto Alegre, por meio da 4ª Vara, abriu um novo leilão envolvendo áreas e estruturas pertencentes ao complexo da antiga Cooperativa Agrícola Cachoeirense (Coriscal), em Cachoeira do Sul. O processo faz parte da liquidação judicial do patrimônio da cooperativa, encerrada em 2014.
O leilão inclui quatro lotes localizados na Vila Carvalho, com terrenos e estruturas industriais desativadas. Os bens integram a execução judicial vinculada ao processo nº 5000892-56.2017.4.04.7119.
O Lote 01 compreende uma área de cerca de 30 mil metros quadrados, incluindo prédios administrativos, escritório, ambulatório, cozinha, cantina, armazéns, oficinas, silos e caixas d’água. O imóvel foi avaliado em R$ 5,5 milhões, com lance mínimo de R$ 2,75 milhões.
Já o Lote 02 corresponde a um terreno de 8.856 metros quadrados, avaliado em R$ 2,1 milhões, com lance inicial de R$ 1,05 milhão.
Segundo o laudo de reavaliação, as estruturas são antigas, localizadas em terreno acidentado e em área considerada fora de rota, próxima a sangas. O documento aponta potencial de utilização para atividades cooperativas ou industriais.
O próximo ciclo do leilão está previsto para ocorrer no dia 21 de maio de 2026, às 10h. Ao todo, o certame prevê oito ciclos sucessivos de ofertas. Os interessados devem estar cadastrados na plataforma oficial responsável pela venda judicial para participar dos lances.
Parte do patrimônio já foi vendido
De acordo com o ex-gerente de produção da Coriscal, Márcio Heleno, que atuou durante 12 anos na cooperativa, parte importante da estrutura industrial já foi comercializada nos últimos anos.
Segundo ele, já foram vendidos a indústria, os silos e as secadeiras. Ainda restam áreas como a fábrica de ração, terrenos, prédios, balança e o graneleiro.
Márcio relembra que a Coriscal chegou a ser considerada uma das maiores indústrias do setor no Rio Grande do Sul e afirma que muitos trabalhadores ainda aguardam pagamentos relacionados ao encerramento das atividades.
“Era muito forte, a maior do RS”, relatou.
Ele também afirma possuir valores pendentes ligados a um acidente de trabalho e destaca que procura atuar de forma coletiva na busca pelos pagamentos dos antigos funcionários.
Pagamento de ex-funcionários
Os recursos obtidos com os leilões são destinados ao pagamento de multas e indenizações trabalhistas envolvendo mais de 30 ex-funcionários da cooperativa.
O caso segue em tramitação judicial e ainda depende da venda total dos ativos da empresa. Conforme Márcio Heleno, enquanto existirem bens em nome da Coriscal, não há possibilidade de acionar diretamente os associados da cooperativa para cobrança de valores.
Mesmo após mais de uma década do encerramento das atividades, o futuro do complexo industrial da antiga Coriscal segue indefinido, enquanto parte do patrimônio continua sendo levada a leilão pela Justiça.


















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