Maior rede de farmácias do RS, São João, começa a adotar escala 5x2
A rede de Farmácias São João, considerada a maior do setor no Rio Grande do Sul, iniciou a adoção da escala 5x2 em diversas unidades espalhadas pelo Estado. O modelo prevê cinco dias de trabalho e dois de folga, que necessariamente não são consecutivos.
A mudança ocorre em meio ao debate nacional sobre alterações na jornada de trabalho e possíveis mudanças na escala 6x1, temas que ainda tramitam no Congresso Nacional e dependem de alterações constitucionais e regulamentações complementares.
Segundo o presidente da rede, Pedro Brair, a implementação está em fase de adaptação e sendo aplicada gradualmente em diferentes lojas. A empresa conta com mais de 1.200 unidades e cerca de 24 mil funcionários.
Brair afirmou que, caso a jornada semanal permaneça em 44 horas, não há necessidade de aumento no quadro de funcionários, mesmo com a reorganização das escalas.
Reorganização de escalas e impacto operacional
O setor de farmácias exige operação contínua em muitas unidades, incluindo funcionamento estendido e, em alguns casos, 24 horas por dia. Isso torna a gestão de escalas um desafio logístico, especialmente em redes de grande porte.
A adoção do modelo 5x2 exige reestruturação interna, já que envolve a redistribuição de turnos e ajustes no fluxo de atendimento sem comprometer a cobertura de horários.
Debate sobre legislação trabalhista
As propostas em discussão no Congresso incluem a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6x1. Também há uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em análise para viabilizar mudanças na legislação trabalhista.
Especialistas em direito do trabalho avaliam que modelos como o 5x2 podem ser aplicados dentro da atual legislação por meio de regimes de compensação de horas, desde que haja acordo individual entre empregado e empregador ou previsão em convenções coletivas.
No comércio, convenções de categoria já permitem esse tipo de organização, embora atividades específicas possam exigir autorizações adicionais, como no caso de funções consideradas insalubres.
Estratégia de competitividade no varejo
Representantes do setor afirmam que a adoção de novas escalas também tem sido usada como estratégia para atrair e reter trabalhadores, em um cenário de dificuldade para preenchimento de vagas no comércio. Para lideranças sindicais, a flexibilização pode funcionar como ferramenta de competitividade entre empresas na disputa por mão de obra.
Já entidades empresariais alertam que uma eventual redução da jornada para 40 horas teria impactos diferentes conforme o porte das empresas, sendo mais desafiadora para pequenos negócios. O tema segue em discussão e deve continuar ganhando espaço no debate entre governo, empresários e trabalhadores nos próximos meses.

















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