“Tive a boca costurada”, revela cachoeirense vítima de cárcere no Paraná ao Domingo Espetacular
- Da Redação

- 9 de ago. de 2021
- 2 min de leitura

Em entrevista exclusiva ao Programa Domingo Espetacular da Record TV, a cachoeirense Vera Lúcia da Silva Rosa, que ficou durante um ano em cárcere privado na cidade de Toledo no Oeste Paraná deu detalhes de como era torturada e de como conseguiu fugir do cativeiro para pedir ajuda. Vera possui familiares que vivem no Bairro Medianeira em Cachoeira do Sul, e os mesmos não conseguiam contato com a parente.
A reportagem esteve na casa em que a mulher foi torturada e mutilada durante um ano pelo marido, que é um instrutor de autoescola na cidade do Oeste. Alexandro Paes, suspeito dos crimes está detido.
“Eu fui casada com uma pessoa que eu era apaixonada, mas que se transformou em um monstro. De tanto bater ele quebrou meu nariz com vários socos. Hoje eu não respiro mais pelo nariz, mas pela boca.” Vera Lúcia da Silva Rosa

As sessões de violência foram todas acompanhadas pelo filho do casal de 12 anos, que também tinha medo do pai e era manipulado pelo homem.
“A minha boca foi uma tortura. Ele me manipulava, mandava eu fazer. Ele me falava, você faz, se não eu vou fazer pior, então eu fazia. Uma vez ele queria arrancar a minha língua, com uma alicate de ferramenta. Ele tentou arrancar também minha orelha.” Vera Lúcia da Silva Rosa
Confira a matéria na íntegra
No local onde as agressões aconteciam, vários objetos utilizados para tortura foram localizados, dentre eles tacos de beisebol, agulhas e linhas para costurar a boca, pedaços de madeira, e um facão também foram apreendidos pela polícia.
“ Ele queria me controlar por ciúmes, e estava estudando na internet como fazer uma regressão em mim. Ele chegou a me fazer um cartaz, dizendo que eu, meu filho e minha família não precisavam de apoio psicológico” Vera Lúcia da Silva Rosa
Atualmente, a mulher não tem sensibilidade na língua, ela conta que teve parte do órgão muscular mutilado, e sangrou por horas.“ Eu fiquei sangrando da uma da manhã até às 11h da manhã. Quem me socorreu foi meu filho porque ele (agressor) foi dormir.”
Segundo a polícia, um dos principais castigos que a mulher passava era utilizar uma faca e uma chave de fenda quente, para que queimasse o rosto. Uma semana antes de conseguir fugir do cativeiro e procurar ajuda, Alexandre deu duas opções para mulher.
A mulher fugiu durante a madrugada do dia 24 de junho deste ano. Ela tentou pular o muro, mas não conseguiu, então voltou para casa pegou a chave, se despediu do filho e saiu pelo portão em busca de ajuda na delegacia da cidade.

Alexandre está preso por lesão corporal, tortura e cárcere privado. O advogado de Alexandro Paes informou que o caso pode ter uma reviravolta.
“ É um processo que corre em segredo de justiça. Se comprovada a versão que ele apresentou, terá uma grande reviravolta. Todos os fatos estão levantando que a versão dele é verdadeira. Eu não digo em questão de consentimento, eu digo uma participação das duas partes, no ponto do que eu vou fazer e você aceita, a sua autolesão.” Advogado de Defesa

















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