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UFSM terá corte de R$ 11,2 milhões no orçamento de 2026 após redução aprovada pelo Congresso

  • Foto do escritor: Lenon Quoos
    Lenon Quoos
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deverá enfrentar, em 2026, um corte de R$ 11,2 milhões em seu orçamento para gastos discricionários, o que representa uma redução de 7,01% em relação ao valor previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) encaminhado originalmente pelo governo federal ao Congresso Nacional. A informação foi divulgada pela Pró-Reitoria de Planejamento da instituição.


Com a redução, a dotação orçamentária da UFSM para despesas como água, luz, telefone, segurança, contratos terceirizados, bolsas de assistência estudantil, entre outros serviços essenciais, passará de R$ 159.748.303,00 para R$ 148.556.485,00. O valor, caso seja mantido, ficará abaixo do orçamento de 2025, que foi de R$ 155.691.967,00, aprofundando as dificuldades financeiras da universidade.


Para a direção da Sedufsm, seção sindical dos docentes, a diminuição de recursos precisa ser revista. A entidade defende que as universidades federais tenham dotações orçamentárias garantidas por lei, de forma a assegurar previsibilidade e sustentabilidade financeira.


Corte atinge todas as universidades federais

A UFSM não é a única instituição impactada. O orçamento das 69 universidades federais sofreu um corte de 7,05%, o que representa uma redução de R$ 488 milhões em nível nacional. A medida foi aprovada pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional ainda no final de 2025 e provocou forte reação entre dirigentes das instituições federais de ensino e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).


Segundo a Andifes, os recursos foram reduzidos para possibilitar a ampliação das emendas parlamentares de deputados e senadores em um ano eleitoral, o que agravou a situação financeira das universidades.


Impactos na assistência estudantil

Conforme a Andifes, apenas na área de assistência estudantil, o corte chegou a cerca de R$ 100 milhões, o equivalente a 7,3%, atingindo diretamente o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Em 2024, o programa atendeu aproximadamente 400 mil estudantes, garantindo acesso a bolsas, alimentação, moradia e outras ações voltadas à permanência de alunos de baixa renda no ensino superior.


A associação alertou ainda que, sem recomposição, o orçamento das universidades federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao executado em 2025, sem considerar os efeitos da inflação e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente os relacionados à mão de obra.


“Corte lastimável”, diz Sedufsm

Para o presidente da Sedufsm, professor Everton Picolotto, o corte é “lastimável”, sobretudo porque ocorre em um contexto de financiamento já reduzido. Segundo ele, atualmente as universidades operam com cerca de 50% do orçamento que tinham em 2014.


“Com esse novo corte, a situação se agrava ainda mais, pois teremos menos recursos do que em 2025, sem qualquer correção inflacionária. Isso compromete a manutenção da estrutura da universidade, o pagamento de bolsas e serviços fundamentais como limpeza e segurança”, afirma.


Picolotto também critica o fato de a redução ter sido promovida pelo Legislativo. “Cortaram da educação para robustecer as emendas parlamentares. Na prática, isso força as universidades a peregrinarem por gabinetes em Brasília para tentar recompor seu orçamento. Isso não é autonomia, é barganha política”, enfatiza.


Defesa de mobilização e solução estrutural

Para o presidente da Sedufsm, a saída passa por uma mobilização conjunta da comunidade universitária, pressionando o Congresso Nacional para que as universidades federais tenham orçamento fixado em lei, garantindo estabilidade no longo prazo.


“Não é sustentável depender de lobby parlamentar para manter atividades de ensino, pesquisa e extensão. Precisamos de uma política de financiamento sólida e permanente”, defende Picolotto, que também avalia que o movimento sindical deve denunciar parlamentares que optam por retirar recursos da educação federal em troca de interesses políticos.


 
 
 
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