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Abril Azul amplia debate sobre autismo na vida adulta e desafios de inclusão

  • Foto do escritor: Lenon Quoos
    Lenon Quoos
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

A campanha Abril Azul, dedicada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça neste ano a importância de ampliar o olhar para além da infância, destacando os desafios enfrentados por adolescentes, adultos e idosos no espectro. Embora o debate sobre o autismo tenha avançado nos últimos anos, grande parte das discussões ainda se concentra no diagnóstico precoce e no acompanhamento infantil.


Segundo a psicóloga e docente do curso de Psicologia da Estácio, Simone Chandler Frichembruder, o autismo segue sendo socialmente associado à infância, muitas vezes cercado por estereótipos ou pela ideia de genialidade. “Apesar de avanços recentes, ainda há um foco muito grande nas fases iniciais da vida, tanto em pesquisas quanto na formação de profissionais”, observa.


DIAGNÓSTICO TARDIO E NOVA LEGISLAÇÃO

Um dos avanços recentes destacados pela especialista é a sanção da Lei 15.256/2025, que prevê incentivo à investigação diagnóstica do TEA em adultos e idosos. A medida busca atender uma parcela da população que, por décadas, permaneceu sem diagnóstico formal e, consequentemente, sem acesso a direitos e políticas públicas.


“Essa lei é fundamental, pois tenta reparar uma dívida histórica com pessoas que chegaram à vida adulta ou à velhice sem o reconhecimento do diagnóstico”, afirma Simone.


MERCADO DE TRABALHO E DESIGUALDADES

A inclusão no mercado de trabalho ainda é um dos principais desafios. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros possuem diagnóstico de autismo, sendo que aproximadamente 85% estão fora do mercado de trabalho.


Para a psicóloga, esse cenário reflete barreiras estruturais que vão desde a formação educacional até os processos seletivos. “Muitas vezes, os critérios são baseados em habilidades sociais padronizadas, desconsiderando competências técnicas e potenciais específicos dessas pessoas”, explica.


Mesmo quando conseguem inserção profissional, muitos enfrentam ambientes pouco adaptados, com excesso de estímulos sensoriais e exigências constantes de interação social.


BARREIRAS COMEÇAM NA EDUCAÇÃO

As dificuldades, no entanto, começam ainda na trajetória escolar. Dados do Censo Demográfico 2022 indicam que 46,2% das pessoas com autismo não concluíram o ensino fundamental, percentual superior ao da população em geral, que é de 35,2%.


“Isso evidencia as barreiras no acesso e na permanência escolar, que impactam diretamente as oportunidades ao longo da vida”, destaca a especialista.


COMBATE AO PRECONCEITO

Além dos desafios estruturais, Simone chama atenção para o preconceito ainda presente na sociedade, que muitas vezes reduz a pessoa com autismo à condição de incapaz.


“A exclusão pode ser sutil, como quando essas pessoas não são chamadas para determinadas tarefas ou têm suas competências ignoradas”, pontua.


INCLUSÃO AO LONGO DA VIDA

Para a psicóloga, ampliar o debate durante o Abril Azul é essencial para reforçar que o autismo acompanha o indivíduo em todas as fases da vida. Mais do que diagnóstico, é necessário garantir condições reais de participação social, educacional e profissional.


“Pensar no futuro dessas pessoas, garantir que envelheçam com dignidade e apoio, é mais do que conscientização: é um dever de toda a sociedade”, conclui.


 
 
 

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