Bruno Müller | Quando o jornalismo perde a confiança do público
- Da Redação

- há 1 dia
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Muito se tem debatido sobre a crise do jornalismo contemporâneo.
É evidente que a imprensa é constantemente atacada por grupos partidários que buscam enfraquecer a credibilidade das notícias para fortalecer suas próprias narrativas.
Esse fenômeno existe e representa um risco à democracia. Mas a crise do jornalismo também é fruto de suas próprias escolhas.
Muitos jornalistas, movidos por interesses muitas vezes alheios à missão de informar, acabam relativizando princípios essenciais da atividade jornalística.
O resultado é previsível: o descrédito perante a sociedade.
Não há dúvidas sobre a importância do jornalismo, seja na mídia impressa, digital, radiofônica ou televisiva. A imprensa livre é um dos pilares da democracia.
Entretanto, é preciso humildade para reconhecer que determinados textos publicados sob o abrigo de editoriais, notícias e colunas de opinião, muitas vezes voltados mais à desconstrução de pessoas do que à exposição equilibrada dos fatos, acabam afastando o jornalismo de valores que lhe conferem legitimidade, como a honestidade intelectual, a busca pela verdade, o contraditório e a integridade ética.
Quando a informação cede espaço à militância, a credibilidade inevitavelmente se desgasta.
Nessas circunstâncias, o contraponto sempre existirá. Não porque se pretenda impedir críticas ou limitar a liberdade de imprensa, mas porque o contraditório também é um valor democrático, especialmente quando manchetes de capa conduzem o leitor a uma percepção que o próprio conteúdo da reportagem não confirma integralmente.
Contra esse tipo de prática, inteligência, conhecimento e polidez costumam conduzir as pessoas a escolher, com discernimento, as causas que realmente merecem ser defendidas. Mas esses mesmos atributos também permitem enxergar, com maior nitidez, os interesses que muitas vezes se escondem por trás de determinados discursos e os métodos utilizados para preservar espaços de influência, ainda que isso signifique selecionar fatos, construir narrativas ou transformar opiniões em supostas verdades.
Há quem interprete a firmeza na defesa de convicções como um defeito. Talvez porque esteja acostumado a um tempo em que poucos ousavam confrontar versões cuidadosamente construídas.
Quando argumentos passam a ser respondidos com adjetivos, e fatos cedem lugar a avaliações pessoais, o debate deixa de ser sobre ideias e passa a revelar muito mais sobre quem escreve do que sobre quem é alvo da crítica.
É um recurso antigo: procura-se desqualificar a pessoa quando não se consegue desconstruir suas posições.
No fim, talvez a maior ironia seja esta: aqueles que se apresentam como guardiões da inteligência e da lucidez parecem se incomodar justamente quando essas qualidades são utilizadas para revelar que, por trás de certos editoriais, notícias e colunas, muitas vezes há menos compromisso com a verdade e mais saudade da influência e do poder de outros tempos.
Imprensa livre é sinônimo de democracia. Mas métodos parciais são sinônimos de descrédito.
A credibilidade não é um direito adquirido da imprensa. É um patrimônio que precisa ser conquistado a cada edição.
Bruno Müller















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