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Cachoeira registra 2,3 mil castrações, mas fila municipal ainda tem 771 animais à espera

há 2 dias
3 min de leitura

Cachoeira do Sul contabilizou 2.379 castrações de animais realizadas pelo Município entre 2025 e outubro de 2026. Foram 1.299 procedimentos no ano passado e outros 1.080 nos primeiros dez meses deste ano. Apesar dos números, a demanda continua elevada: atualmente, 771 fichas habilitadas aguardam atendimento na fila municipal.


A Secretaria Municipal de Meio Ambiente está elaborando um planejamento para zerar essa fila. A proposta prevê ampliar a capacidade de atendimento, com a utilização de recursos estaduais e o credenciamento de novas clínicas veterinárias.


É importante destacar que os números apresentados pela Prefeitura correspondem exclusivamente às solicitações cadastradas diretamente no Município. Eles não incluem os procedimentos realizados por organizações não governamentais (ONGs) e entidades independentes de proteção animal, que também desenvolvem trabalhos de castração em Cachoeira do Sul.


Recurso de R$ 100 mil aguarda liberação operacional

Para ampliar os procedimentos, o Município está na fase final dos ajustes cadastrais exigidos pelo Estado para utilizar R$ 100 mil do Fundo Estadual de Bem-Estar Animal. O recurso já foi recebido, mas ainda não começou a ser aplicado. A expectativa da Secretaria é concluir os procedimentos nos próximos dias.

Também está em andamento o credenciamento de novas clínicas veterinárias, medida que deverá aumentar a capacidade de realização das cirurgias.

Estrutura dos abrigos recebeu investimentos

Além das castrações, a Secretaria aponta a necessidade de organizar e qualificar os serviços destinados aos animais acolhidos pelo Município. Segundo o levantamento apresentado, os abrigos não contavam anteriormente com responsável técnico, controle preciso da quantidade de animais e das condições de saúde, nem atendimento veterinário de média e alta complexidade.


Para enfrentar essas carências, foram contratados uma médica veterinária como responsável técnica e serviços terceirizados de higienização, manejo, auxílio veterinário, vigilância noturna e supervisão, envolvendo nove profissionais.

Também foram implantados prontuários, identificação por microchip e controle das castrações dos animais abrigados.


Os atendimentos veterinários de média e alta complexidade são destinados aos animais acolhidos pelo CEMPRA, com previsão de até R$ 5 mil mensais. A alimentação também passou por mudanças, com a substituição da ração de 18% de proteína por outra com 23%.


Entre as melhorias na infraestrutura estão o investimento de R$ 31.202,68 na rede hidrossanitária do abrigo das Três Vendas, que não possuía estrutura adequada para o tratamento dos efluentes, e a instalação de um módulo com 20 baias, doado por voluntários.


No abrigo junto à DVS, foram realizadas adequações nos canis e no ambulatório. Novos módulos também estão em fase de elaboração de projetos e orçamento.


Manutenção dos animais exige despesas permanentes

A Secretaria informa que os custos mensais incluem aproximadamente R$ 25 mil com ração, R$ 2 mil com medicamentos, R$ 4,5 mil com a responsável técnica e R$ 65 mil com a equipe terceirizada.


São despesas necessárias para manter os espaços de acolhimento e garantir alimentação, higiene e assistência aos animais sob responsabilidade municipal.


ONGs também desempenham papel importante nas castrações

O trabalho de proteção animal em Cachoeira do Sul não se limita às ações da Prefeitura. Organizações não governamentais e entidades independentes também realizam procedimentos, resgates, tratamentos e encaminhamentos para adoção.

A Associação Pelo Amigo, por exemplo, realizou mais de mil castrações entre 2025 e 2026, conforme informações repassadas à reportagem, pela voluntária e vereadora Adriana Palladino.


Esses procedimentos são custeados pela própria entidade, que precisa pagar pelas cirurgias realizadas em clínicas veterinárias. Não se trata de um serviço gratuito ou executado com estrutura veterinária própria. Em situações que exigem procedimentos mais complexos, como casos de piometra (infecção uterina), os custos são ainda maiores.


O trabalho dessas organizações depende, em grande parte, de recursos provenientes de emendas parlamentares, cujo repasse é fundamental para garantir a continuidade dos atendimentos.


Assim, os números da Prefeitura representam apenas uma parte do trabalho de controle populacional realizado no município. A atuação das entidades de proteção animal também contribui diretamente para reduzir a reprodução descontrolada, evitar o abandono e ampliar o acesso às castrações.


Adoções, resgates e outras ações

O levantamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente registra ainda 232 adoções, a emissão de 48 laudos veterinários para fiscalização e o cadastramento dos animais dos abrigos no sistema federal Sinpatinhas.


Durante as enchentes, foram resgatados e acolhidos 51 animais em 2025 e outros 70 em 2026, com assistência veterinária, vacinação e castração.


Entre as demais iniciativas estão a reativação do Conselho Municipal de Proteção Animal, a preparação de propostas para o Código Municipal Animal e a elaboração de projetos educativos e de cuidado comunitário.


O desafio agora é ampliar a capacidade de atendimento, reduzir a fila de espera e garantir condições de manutenção dos animais já acolhidos. Para isso, além dos investimentos públicos, a continuidade das parcerias com as entidades de proteção animal será importante no enfrentamento das demandas do município.

Foto: Armindo Oliveira

 
 
 

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