Inclusão: a informática como ferramenta de mudança
A informática tem mudado o mundo desde sua origem no final da década de 40. Desde lá, a tecnologia alterou a forma como as pessoas trabalham, estudam e se relacionam. Durante a pandemia teve sua importância reforçada por tudo que o isolamento social ocasionou. Porém, ela vem melhorando a vida de muita gente desde antes disso. Segundo o Mapa da Inclusão Digital no Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), o Rio Grande do Sul tem 1.284 locais que oferecem algum tipo de facilidade para inclusão digital ao público, só em Porto Alegre são 139 lugares.
A inclusão digital é uma forma de democratizar a tecnologia e deixá-la acessível ao maior número de pessoas. Esse é o caso dos adolescentes de 14 a 18 anos, em situação de vulnerabilidade, atendidos pelo projeto organizado pelo docente da área da Informática da Faculdade Senac Porto Alegre, Fábio Giulian Marques. Nascido de uma parceria entre a prefeitura de Porto Alegre, a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) o laboratório desenvolve atividades com objetivo de encontrar o primeiro emprego. “Oferecemos oficinas de iniciação à informática, que são cursos de Sistemas Operacionais (Windows/Linux), bem como cursos de pacotes de escritórios. Ainda auxiliamos a comunidade com dicas de como se apresentar e se comportar nas entrevistas, orientamos na construção dos currículos e nos cadastros em sites de estágios e empregos”, conta o professor. Além disso, os alunos aprendem também sobre limpeza e manutenção de equipamentos. “Como uns computadores são mais antigos, alguns ainda de 2009, realizamos oficinas para ensinar os jovens na manutenção e limpeza. Além de aproveitarmos o laboratório com oficinas de reforço escolar de forma lúdica para as crianças da AELCA”, explica.
Fábio começou sua experiência com voluntariado em 1994, quando ministrava cursos de introdução à informática na Associação Evangélica Luterana de Caridade (AELCA). Em 2009 fez parte da criação do laboratório de inclusão digital do projeto Vila na Trilha, em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), atendendo a comunidade da Vila Jardim, zona leste de Porto Alegre. “É muito gratificante saber que de alguma forma estamos fazendo a diferença para estes jovens”, finaliza.
Outro grupo que tem feito a diferença é o formado pelos alunos Susana Barros, Leonardo Lima e Bruno Mesquita da disciplina de UX (User Experience), compartilhada entre os cursos Superiores de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes Para Internet e Produção Multimídia da Faculdade Senac Porto Alegre. Ministrada pelo docente Cristiano Clezar Ribeiro o objetivo principal da matéria é estudar o comportamento dos usuários e desenvolver produtos, sistemas e serviços em que o foco são as pessoas. “Dentro do escopo da disciplina, é pedido que os alunos juntem-se em grupos, escolham um público e desenvolvam um projeto com o objetivo de impactar as vidas destas pessoas. O critério de avaliação mais importante é que este projeto não fique no papel e seja implementado no mundo real, impactando a comunidade”, explica o professor.
Susana, Leonardo e Bruno escolheram impactar a vida de uma figura: o Gari Betinho, dono de um canal no YouTube e um dos criadores da ONG Amigos do Reino, que atende mais de famílias de baixa renda em Butiá (RS). Roberto Marins trabalha como gari há 16 anos e sempre teve o sonho de ganhar dinheiro no YouTube para arrumar a casa onde vive com a esposa e três filhos.
“Desta necessidade o trio montou um projeto para aumentar o número de seguidores do Betinho. Para isto, criaram diversas ações. Entre elas, eles conseguiram que um colega fizesse a doação de um curso de qualificação em redes sociais. Ajudaram também na divulgação do canal e criaram uma vaquinha on-line para arrecadar dinheiro para a obra na casa.
A ideia inicial foi bastante ousada. O trio resolveu mirar alto para ver se conseguia algo próximo. Pretendiam arrecadar R$ 30.000,00. O resultado, felizmente, foi muito maior e melhor que o esperado. Até o momento, o projeto já arrecadou R$ 40.860,00 para a reforma da casa
“Como professor, analiso que além de gerarem um impacto gigante na vida do Betinho e da sua família, as outras 500 famílias que ele atende também vão se beneficiar. Além disso, para a Susana, Leonardo e o Bruno foi um aprendizado gigantesco, uma vez que mesmo muito antes de formados eles já estão vendo a capacidade que eles tem de impactar vidas”, explica Cristiano
Dificilmente se conheceria a história de vida do Betinho se ele tivesse nascido duas décadas antes. Todo o trabalho que ele faz estaria restrito a uma pequena comunidade. A internet deu a possibilidade de ver, participar e criar juntos. O canal do Betinho no Youtube é www.youtube.com/c/betinhogarideButia e a vaquinha dele está no voaa.me/casa-betinho.

Foto: Divulgação
















Comentários