Jaqueline Machado | Os mistérios do tempo
- Da Redação

- 5 de fev. de 2024
- 2 min de leitura
O que é o tempo, senão a casa de tecido fino e elástico que abriga as vidas universais? Essa casa, lar de todos nós, é como um útero que se expande no ventre daquela a quem chamamos de “A GRANDE MÃE”. Obra prima do Criador, que por sua vez é chamado de Pai. O gênio misterioso da razão do existir...
Quanto mais vida há, mais esse ventre se expande para melhor abrigar e proteger os seus filhos. Os filhos desse Pai e dessa Mãe que de fato existem, mas não sabemos de onde vêm e para onde vão. Desde que não nos deixe para trás, pouco importa o rumo. EXISTIMOS. E isso por si só já me parece extraordinário demais!
Atualmente os cientistas descrevem o universo através de duas teorias básicas: a teoria geral da relatividade e a teoria da mecânica quântica. A primeira refere-se à força da gravidade e à macroestrutura do universo. Já a mecânica quântica, lida com as esferas microcósmicas, com o mundo das coisas muito pequenas e internas. Pois como explica os estudos feitos sobre os buracos negros, existe vida por fora e por dentro de todas as massas.

E tudo se dá dentro da mágica do tempo, em que os cientistas dizem ter surgido de uma grande explosão chamada Big Bang, a qual deu origem a tudo o que conhecemos, desconhecemos ou nem imaginamos que exista.
Independente de fé, descrenças ou estudos, uma coisa é certa: o tempo é um grande mistério. É onde se guarda todos os pensamentos, gestos, desejos, o bem e o mal. É nele que também se abriga a vida e a morte.
Alguns o sentem passar devagar. Para outros, ele passa depressa. E isso significa que o tempo não é igual para todos. No livro: A Montanha Mágica, do autor alemão, Thomas Mann, um jovem chamado Hans Castorp, personagem central da história, que por uma circunstância específica foi parar num sanatório para tuberculosos, nos Alpes suíços.
Seu primo, que faz tratamento no sanatório, desce a montanha para recepcioná-lo na estação. Hans, pretende passar três semanas dentre os doentes, respirando novos ares. Mas lá ele descobre que as leis da natureza não regem o tempo como aqui embaixo. No alto da montanha, três semanas equivalem a um dia.
Nessa nova experiência, ele que era um rapaz rico, mimado e de inteligência mediana, passa a conviver com as diversas realidades dos doentes, conhece enfermos que se habituaram ao lugar, pois não precisam fazer nada, vivem para comer e dormir e os mais filósofos que ainda ousam pensar, e profundamente lamentam suas fragilidades físicas, pois muito desejam viver e mudar o mundo.
A Montanha Mágica, na verdade, representa a sociedade burguesa ocidental como um sanatório de pessoas a desperdiçar o tempo com suas vontades fúteis e vagarosas. E por isso se acomodam, adoecem e perdem a noção de suas próprias realidades. Não expandem os seus horizontes e nada acrescentam ao mundo, a não ser uma espécie de morte muito confortável emvida.
Ou seja, dentro do tempo, podemos viver ou morrer. Aproveitar ou mesmo desperdiçar tudo.
Já disse o poeta Caetano Veloso, “Tempo, tempo, tempo, és um dos deuses mais lindos!".
Jaqueline Machado.















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