Jaqueline Machado | Poemas
- Lenon Quoos

- há 36 minutos
- 2 min de leitura
Epifania
Aos onze anos de idade,
sentada à porta da sala de casa,
tive minha primeira epifania.
Ao olhar para o céu,
uma sensação de vazio
tomou conta do meu ser.
Repentinamente,
indaguei-me: e se ao invés do tudo,
existisse o nada?
Se ao invés do princípio,
restasse apenas o fim?
Perguntas comuns para muita gente,
mas não para mim que nunca tinha ouvido
da boca de ninguém tais especulações.
E nunca havia sequer lido um livro.
Aquela sensação tragou-me a alma.
Me levou para um mundo desconhecido.
Mais tarde, devolveu-me à Terra,
inteiramente entorpecida.
Muito tempo depois
entendi o evento que experimentei,
e que por ninguém foi percebido:
era o primeiro chamado da minha missão.
- Daí, relembrando o dia da epifania,
num futuro distante nasceu o poema a seguir –

Eu e o mundo
Eu não tive infância...
Mas a Vida não tirou- me o desejo
de buscar, tocar, saber...
Desde muito menina,
o mistério da existência me fascina!
E de mim indaga sobre coisas que não posso ver.
Eu não tive infância...
Mas essa minha aliança com o universo,
despertou em mim um desejo confesso,
pelas artes do descobrir.
Meus olhos buscavam o céu.
Por detrás de sete véus,
uma voz perguntava:
e se ao invés do tudo, existisse o nada?
Se ao invés do princípio, restasse apenas o fim?
Eu não tive infância...
Mas todas as eras habitavam minha alma.
E uma senhora de sabedoria infinda,
com doçura me acalentava.
Não tive nada.
Por isso, tive tudo!
O mundo adentrou o meu ventre fecundo.
Emocionada, o amamentei
com as lágrimas do meu sofrer
e no meu colo, o embalei com as canções
que fazem o mundo girar.
Hoje, adulta, madura, torne-me uma pesquisadora
sobre as coisas da vida. E é a vida quem gosta de me ninar.
Jaqueline Machado.















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