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Morre aos 104 anos a professora Sara Jardim, referência histórica da educação em Cachoeira

  • Foto do escritor: Lenon Quoos
    Lenon Quoos
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura

Cachoeira do Sul se despede de uma de suas personalidades mais marcantes. Faleceu na noite de segunda-feira, 27 de abril de 2026, aos 104 anos, a professora aposentada, artista plástica, poetisa e ex-cônsul honorária do Uruguai, Sara Claveaux de Jardim. O óbito ocorreu às 23h40min, em sua residência.


Nascida em 22 de agosto de 1921, em Montevidéu, capital uruguaia, Sara era filha do médico epidemiologista e ex-ministro da Saúde do Uruguai, Enrique Claveaux. Criada em um ambiente de alta formação cultural e acadêmica, iniciou o curso de Medicina ainda jovem, seguindo os passos do pai. No entanto, foi na universidade que conheceu o cachoeirense Geanone Jardim, com quem viveu uma história de amor que mudaria seu destino.


O casamento ocorreu em 1944 e, no ano seguinte, o casal mudou-se para Cachoeira do Sul. A partir de então, Sara construiu uma trajetória profundamente ligada à cidade, tornando-se uma figura central na educação, na cultura e na vida social cachoeirense.


Sua carreira no magistério começou em 1954, no Instituto João Neves da Fontoura, onde lecionou espanhol, francês e etiqueta social por cerca de 28 anos, até sua aposentadoria em 1982. Com domínio natural das línguas — fruto de sua formação no Uruguai e de sua ascendência francesa — tornou-se referência no ensino e ajudou a formar gerações de alunos, especialmente no tradicional curso de Tradutor e Intérprete.

Conhecida pelo rigor, pela elegância e pela forma afetiva com que tratava seus estudantes, Sara construiu uma relação de proximidade com seus alunos, muitos dos quais mantiveram laços de amizade ao longo da vida. No meio educacional, era vista como uma professora “nata”, com didática e sensibilidade que iam além da sala de aula.


Paralelamente à carreira como educadora, desempenhou papel importante como cônsul honorária do Uruguai em Cachoeira do Sul por 25 anos, função assumida em 1950. Nesse período, foi responsável por estreitar relações culturais e institucionais entre o Brasil e o país vizinho, tornando-se uma ponte entre as duas nações.


Após a aposentadoria, dedicou-se intensamente às artes. Como artista plástica, destacou-se na pintura em porcelana, técnica na qual produziu obras, ministrou aulas e participou de exposições nacionais e internacionais, conquistando reconhecimento e premiações. Também se expressava por meio da poesia, revelando sensibilidade e refinamento intelectual.


Sara também teve forte presença na vida social do município. Elegante e carismática, foi eleita, no ano 2000, a mulher mais elegante da segunda metade do século 20 em Cachoeira do Sul — título que sintetiza a imagem que construiu ao longo das décadas.


Mãe de dois filhos, viveu alegrias e perdas. Seu filho Mário faleceu em 2008, aos 63 anos. A filha Mônica Claveaux Jardim, conhecida na sociedade local por ter sido rainha da 2ª Fenarroz em 1968, é hoje sua principal representante familiar, ao lado de genro, netas e demais parentes.


Mesmo após completar um século de vida, Sara seguia lúcida e conectada com suas paixões. Em 2021, ao celebrar 100 anos, ainda se dedicava à leitura, à música e à arte, mantendo viva a curiosidade intelectual e o amor pelo conhecimento. Costumava se definir como “brasiguaia”, expressão que refletia seu orgulho pelas raízes uruguaias e pela vida construída no Brasil, onde se naturalizou.


Sua trajetória também foi marcada por relatos inspiradores dentro da educação. Professores e ex-alunos destacam sua capacidade de ensinar com intensidade, sensibilidade e disciplina, sem jamais perder o carinho no trato com os estudantes. Para muitos, Sara representava o ideal de educador: alguém que nasceu com vocação para ensinar.


O velório ocorre na Capela da Funerária Madre Teresa, em frente ao Cemitério Municipal, na Rua Ivo Becker, 45. O sepultamento será realizado nesta terça-feira, 28 de abril, às 17h, no Cemitério Municipal. A cerimônia religiosa tem início às 16h30min.


A morte de Sara Claveaux de Jardim encerra um capítulo importante da história de Cachoeira do Sul. Mais do que uma professora, ela foi símbolo de dedicação ao ensino, à cultura e às relações humanas. Seu legado permanece vivo na memória de alunos, amigos e familiares — e nas páginas da educação que ajudou a escrever ao longo de mais de um século de vida.

Aos 104 anos, Sara Claveaux de Jardim deixa legado de elegância, cultura e dedicação à educação em Cachoeira do Sul / Lenon Quoos.
Aos 104 anos, Sara Claveaux de Jardim deixa legado de elegância, cultura e dedicação à educação em Cachoeira do Sul / Lenon Quoos.


 
 
 
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