Volta às aulas: mochilas pesadas acendem alerta para a saúde da coluna
- Da Redação
- há 4 minutos
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O excesso de peso nas mochilas escolares, aliado ao uso inadequado, como utilizar apenas uma das alças, pode provocar dores nas costas, alterações posturais e até problemas ortopédicos em crianças e adolescentes. Dados do DataSUS indicam que os jovens têm apresentado aumento no diagnóstico de dores na coluna. Diante desse cenário, reforça-se a importância da atenção dos pais e responsáveis para prevenir danos que podem acompanhar as pessoas ao longo de toda a vida.
De acordo com o ortopedista Toni Lemos, da Hapvida, o peso excessivo das mochilas está diretamente associado ao surgimento de condições como hipercifose (popularmente conhecida como corcunda), escoliose postural, lombalgia, cervicalgia e até hérnias de disco em idades cada vez mais precoces. “A coluna ainda está em fase de desenvolvimento nessa faixa etária, o que a torna mais vulnerável às sobrecargas diárias”, explica.
“O consenso médico recomenda que o peso da mochila não ultrapasse 10% do peso corporal da criança ou do adolescente”, informa o ortopedista. Quando esse limite é excedido, os impactos podem ser imediatos ou progressivos. “Inicialmente, surgem queixas como dores nas costas, ombros e braços. Em longo prazo, esse excesso pode causar alterações estruturais definitivas na postura, que serão levadas para a vida adulta”, alerta.
Além do peso, alguns sinais devem servir de alerta para os pais. Entre eles estão queixas frequentes de dor nas costas, formigamento ou dormência nos braços e mãos, marcas vermelhas ou sulcos nos ombros causados pelas alças da mochila, dores de cabeça recorrentes e postura curvada ao caminhar. “Outro sinal importante é quando um ombro parece mais alto que o outro ao observar a criança em pé”, complementa.
O hábito de carregar a mochila em apenas um ombro também merece atenção especial. Segundo o ortopedista, essa prática provoca desequilíbrio muscular e força a coluna a realizar uma curvatura lateral compensatória. “Para evitar que a mochila escorregue, o jovem eleva o ombro e inclina o tronco para o lado oposto, o que pode gerar uma escoliose funcional e aumentar significativamente o risco de inflamações e contraturas musculares”, destaca.
Para prevenir problemas na coluna, Toni Lemos orienta cuidados simples no dia a dia. Na escolha da mochila, a recomendação é optar por modelos com duas alças largas e acolchoadas. O tamanho também deve ser proporcional ao tronco da criança, sem ultrapassar a linha da cintura.
A organização interna também faz toda diferença: os itens mais pesados devem ser colocados próximos às costas, enquanto os mais leves ficam na parte frontal, mantendo o centro de gravidade mais estável. Já no uso, é fundamental ajustar corretamente as alças para que a mochila fique bem colada ao corpo, sem balançar. Já as mochilas de rodinhas são uma alternativa viável, desde que utilizadas corretamente. “A haste deve estar na altura adequada para evitar inclinações laterais do tronco, e o ideal é alternar a mão que puxa a mochila”, orienta.
Texto: Gabriel Souza - Marta Becker Connection


















