top of page

Cachoeira vai a Brasília cobrar R$ 10,1 milhões para reforçar financiamento da saúde regional

há 1 hora
3 min de leitura

Cachoeira do Sul retornará a Brasília na próxima semana para reforçar a reivindicação de ampliação dos recursos federais destinados ao financiamento da saúde especializada. A principal pauta da comitiva do prefeito Leandro Balardin será o aumento do Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade (Teto MAC), cujo déficit de cobertura chegou a R$ 10.118.623,79 em 2025, conforme levantamento técnico apresentado pela Prefeitura.


A secretária municipal da Saúde, Camila Barreto, integrará a comitiva, que pretende apresentar ao Ministério da Saúde uma versão atualizada do estudo que fundamenta o pedido de ampliação do financiamento. A solicitação já havia sido protocolada junto ao governo federal durante uma audiência presencial em Brasília, em março deste ano.


O Teto MAC corresponde aos recursos destinados ao custeio de procedimentos e serviços especializados do Sistema Único de Saúde (SUS), abrangendo atendimentos hospitalares, exames, consultas, diagnósticos e tratamentos de média e alta complexidade. Em Cachoeira do Sul, a estrutura também atende pacientes dos outros 11 municípios que integram a região de saúde.


Segundo a secretária Camila Barreto, a reposição do déficit histórico é fundamental para garantir a continuidade dos serviços e preservar a condição de referência regional do município. O levantamento considera a diferença entre a produção assistencial realizada e o financiamento federal disponibilizado.


DÉFICIT CRESCEU 36% EM UM ANO

De acordo com os dados apresentados pela Prefeitura, o valor que precisou ser complementado pelos cofres municipais passou de R$ 7,44 milhões em 2024 para R$ 10,12 milhões em 2025. O crescimento foi de aproximadamente 36%, representando um aumento de R$ 2,68 milhões em apenas um ano.


Em 2025, a produção de média e alta complexidade alcançou R$ 28,1 milhões, enquanto o financiamento federal ficou limitado a R$ 17,9 milhões, considerando o cálculo apresentado pela administração municipal.


Conforme Camila Barreto, para cada R$ 100 disponibilizados pelo Teto MAC, sem considerar incentivos, foram registrados aproximadamente R$ 156 em produção assistencial.


O estudo foi elaborado por um grupo técnico que reúne gestores da Prefeitura, da Secretaria Municipal da Saúde e do Hospital de Caridade e Beneficência (HCB).

O prefeito Leandro Balardin destaca que o município vem assumindo uma parcela cada vez maior do custeio da estrutura regional, enquanto o repasse federal permanece sem atualização compatível com o crescimento da demanda.


Desde o início da gestão, em 2025, a administração municipal mobiliza órgãos de saúde para buscar a ampliação dos recursos, tanto na esfera federal quanto na estadual. O tema também foi incluído na Resolução nº 460/26 da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), publicada em junho deste ano.


REFERÊNCIA PARA 12 MUNICÍPIOS

A demanda por atendimento especializado ultrapassa os limites de Cachoeira do Sul. A estrutura de saúde instalada no município atende uma região que reúne aproximadamente 193,6 mil habitantes.


Além de Cachoeira do Sul, integram a área de abrangência da 8ª Coordenadoria Regional de Saúde os municípios de Caçapava do Sul, Encruzilhada do Sul, Arroio do Tigre, Sobradinho, Segredo, Passa Sete, Ibarama, Novo Cabrais, Cerro Branco, Estrela Velha e Lagoa Bonita do Sul.


Somente na assistência hospitalar, o SUS mantém atualmente 142 leitos no HCB. Segundo os dados apresentados pelo prefeito, 67% das internações correspondem a pacientes provenientes de outros municípios da região.


Balardin também defende uma articulação regional para discutir a divisão das responsabilidades financeiras entre as prefeituras que utilizam a estrutura de atendimento especializada de Cachoeira do Sul.


IMPACTO EM TODA A REDE ESPECIALIZADA

A insuficiência de recursos do Teto MAC não afeta apenas o financiamento hospitalar. O déficit também repercute na manutenção e na ampliação dos demais serviços especializados oferecidos pelo município.


A rede de atendimento inclui o Ambulatório VIDA, referência regional em IST/HIV/Aids; o Ambulatório de Odontologia Especializada; o Centro de Saúde Princesa do Jacuí, com atendimentos multiprofissionais, fisioterapia, curativos especiais e pequenos procedimentos; além de consultas especializadas, exames, serviços de diagnóstico e reabilitação.


Também integram a estrutura os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS II, CAPS Infantojuvenil e CAPS AD) e os serviços vinculados ao TEAcolhe.


Na área hospitalar, Cachoeira do Sul conta com referências em hemodiálise e nefrologia, traumato-ortopedia, cirurgia geral, gestação de alto risco, cardiologia, cirurgia vascular, neurologia, neurocirurgia e oncologia, entre outras especialidades.


A estrutura também contempla serviços de oftalmologia, análises clínicas, exames anatomopatológicos, diagnóstico por imagem, fisioterapia, psicologia e consultas especializadas, além de parcerias e atendimentos por meio do Consórcio Intermunicipal Vale do Jacuí.


Camila Barreto alerta que a necessidade de utilizar recursos próprios para complementar o financiamento limita a capacidade do município de ampliar contratos, atualizar valores pagos aos prestadores, contratar novas especialidades e aumentar a oferta de exames e procedimentos.


Segundo a secretária, esse cenário pode contribuir para o aumento das filas de espera, sobrecarregar os serviços de urgência e emergência e dificultar a continuidade dos tratamentos.


A comitiva municipal pretende defender, em Brasília, um financiamento federal compatível com o volume de atendimentos realizados e com a responsabilidade regional assumida por Cachoeira do Sul, buscando garantir a sustentabilidade da rede pública de saúde.

CRÉDITO: VIVIANE SOUZA/ ASCOM SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE

 
 
 

Comentários


bottom of page