Mais de 100 casas estão sem energia há cinco dias na região do Piquiri, em Cachoeira do Sul
Mais de 100 residências estão sem energia elétrica há cinco dias em comunidades da região do Piquiri, em Cachoeira do Sul. O problema começou no último sábado, 3 de outubro, e atinge moradores das localidades de Cordilheira, Estrada Encruzilhada e Estrada Mineração.
Desde então, as famílias convivem com dificuldades que vão muito além da falta de iluminação. A interrupção prolongada compromete a conservação de alimentos, o abastecimento de água e atividades básicas do dia a dia. Os moradores também relatam preocupação com a possibilidade de perder grandes quantidades de carne armazenadas em freezers.
A situação tem levado moradores a procurar informações junto à RGE, inclusive diretamente no escritório da concessionária em Cachoeira do Sul. Conforme os relatos, entretanto, até esta quarta-feira (7), ainda não havia uma previsão concreta para o restabelecimento da energia em algumas das áreas afetadas.
Maioria não tem gerador
Com cinco dias de interrupção, alguns moradores que possuem geradores conseguiram amenizar parte dos problemas. Mas essa é uma exceção. A maioria das famílias não dispõe do equipamento, o que torna a situação ainda mais complicada.
Quem possui gerador precisa utilizá-lo de forma controlada, principalmente pelo custo do combustível. Ao anoitecer, o equipamento é ligado para garantir o mínimo de conforto e segurança dentro das casas.
A energia é utilizada, por exemplo, para manter algumas lâmpadas acesas, assistir televisão e acionar bombas para levar água até as caixas. Já equipamentos que exigem maior consumo, como o chuveiro elétrico, acabam ficando de fora.
“Chega de noitezinha, liga o gerador para ter uma luz dentro de casa, para olhar televisão, puxar água para a caixa. Chuveiro não dá para usar, mas pelo menos tem luz dentro de casa”, relatou um dos moradores.
Carne armazenada preocupa famílias
Outro problema é a quantidade de alimentos armazenados nos freezers das propriedades.
Na região, muitas famílias mantêm o costume de realizar a chamada carneação, o que faz com que grandes quantidades de carne sejam armazenadas em casa. Sem energia por vários dias, o risco de perda dos alimentos aumenta.
Um dos moradores, Vitor, possui dois freezers lotados de carne e outro com aproximadamente metade da capacidade ocupada. Como ele tem um gerador, consegue manter os equipamentos funcionando, mas ainda precisa administrar o uso do equipamento e o consumo de combustível.
A situação é ainda mais preocupante para as famílias que não possuem nenhuma alternativa para manter os freezers ligados.
Moradores começam a buscar alternativas
Diante da demora no restabelecimento, algumas famílias estão tentando encontrar soluções por conta própria.
Um dos moradores decidiu inclusive antecipar uma ida à cidade para comprar um gerador para outra pessoa da comunidade. A iniciativa mostra o tamanho do problema enfrentado pelos moradores, que já estão há quase uma semana tentando manter uma rotina minimamente normal sem o fornecimento de energia elétrica.
Rede teria sido afetada pela água
Segundo informações repassadas aos moradores durante os contatos com a concessionária, a demora estaria relacionada às condições da rede elétrica em trechos afetados pela água.
Um dos relatos aponta que haveria fios ou equipamentos em áreas alagadas, o que dificultaria a atuação das equipes e a religação do sistema com segurança.
Também foram mencionadas ocorrências envolvendo postes e uma chave da rede na região da Ponte Seca. Os moradores, no entanto, afirmam que ainda aguardam informações mais precisas e, principalmente, uma previsão para o retorno da energia.
Cobrança por uma solução
Enquanto aguardam o trabalho das equipes, os moradores seguem cobrando uma solução da RGE. Para quem está sem energia desde sábado, o problema já ultrapassou a condição de um simples transtorno.
São cinco dias sem refrigeração adequada, com dificuldades para bombear água, iluminar as residências e manter alimentos armazenados. Para as famílias que não possuem gerador, as alternativas são ainda mais limitadas.
A comunidade espera que a situação seja normalizada o mais rápido possível e que a concessionária informe claramente quais são os pontos da rede afetados e qual a previsão para o restabelecimento do fornecimento.
A reportagem procurará a RGE para obter informações sobre o número de unidades consumidoras atingidas, as causas da interrupção e a previsão para a retomada do serviço.


















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