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Sabrina Santos | O que o seu extrato bancário diria sobre você se pudesse falar?

  • Foto do escritor: Lenon Quoos
    Lenon Quoos
  • há 13 minutos
  • 5 min de leitura

Quando você abre o seu extrato bancário, o que sente?


Alívio, curiosidade ou vontade de fechar a tela rápido e fingir que não viu?


Todo começo de ano é parecido. Metas novas, promessas de organizar a vida financeira, mas, na prática, o dinheiro continua entrando e saindo no automático. O salário cai ou os recebimentos entram, você vai pagando o que aparece e, no fim do mês, a sensação é de que o dinheiro simplesmente sumiu.


O que pouca gente percebe é que o extrato bancário já conta muita coisa sobre a vida financeira. Ele só não fala em voz alta. Os mesmos princípios usados na contabilidade das empresas podem ajudar a interpretar esses números e enxergar se a sua vida financeira está construindo algo ou apenas apagando incêndios.


Nesta coluna, o convite é direto: fazer exercícios simples, que cabem em poucos minutos, seja você pessoa física, profissional autônomo(a) ou dono(a) de empresa. A ideia é fazer o seu dinheiro contar uma história diferente daqui para frente.

Pegue um papel ou abra o bloco de notas do celular e escolha, pelo menos, um dos três caminhos a seguir.

1. Pessoas físicas

Se você é assalariado(a) ou tem uma renda mensal, talvez a sua vida financeira funcione assim: o dinheiro cai na conta, você paga o que lembra, passa o cartão no que aparece, faz alguns Pix durante o mês e, quando percebe, já está esperando o próximo salário de novo.


A proposta aqui é outra. Em vez de ir apagando incêndios, você decide o destino do seu salário no dia em que ele entra. Cada real precisa ter uma função clara.

Comece respondendo a uma pergunta simples:


Você sabe quanto precisa por mês para manter a sua vida funcionando?

Em vez de olhar apenas para a fatura do cartão, olhe para o básico. Liste em um único lugar os valores de:

• moradia

• contas de água, luz e internet

• transporte

• escola de filhos e plano de saúde, se tiver

• valor mínimo das dívidas já assumidas, como empréstimos e financiamentos

Some tudo. Esse é o seu “mínimo para viver”.


Agora compare esse valor com o seu salário ou renda mensal. Se quase tudo o que você ganha vai para esse mínimo, qualquer gasto fora da rota traz aperto. Se sobra uma parte, ela precisa ter destino definido e não ser engolida pelo dia a dia.


Um caminho simples é dividir o salário em três partes:

• contas essenciais

• vida do dia a dia, como mercado, farmácia e pequenas compras

• futuro, que inclui reserva de segurança e sonhos


Quando você decide isso no dia em que o dinheiro entra, passa a comandar o mês, em vez de deixar o mês comandar você. O extrato deixa de ser uma surpresa desagradável e passa a ser apenas o registro daquilo que você já tinha planejado.


2. Profissionais autônomos

Seu trabalho dá lucro ou só movimenta dinheiro?

Quem trabalha por conta própria, muitas vezes, mistura tudo. O dinheiro do cliente entra na mesma conta em que caem os gastos pessoais e, no fim do mês, fica a sensação de que se trabalha muito e sobra pouco.

Vamos olhar apenas para o mês passado.


Em um lado do papel, anote tudo o que entrou com o seu trabalho:

• atendimentos

• serviços prestados

• comissões

• honorários

• outros recebimentos da atividade

Some essas entradas. Esse é o seu faturamento do mês.


No outro lado, anote tudo o que você gastou para poder trabalhar:

• aluguel de sala ou espaço

• internet e telefone usados para atender

• materiais e ferramentas

• aplicativos e sistemas

• taxas de plataforma e de maquininhas

• impostos ligados à atividade

Some esses valores. Esse é o custo do seu trabalho.


Agora faça a conta. Faturamento menos custos do trabalho. O número que aparecer é o resultado do seu negócio naquele mês.


Se esse resultado está sempre baixo ou negativo, é sinal de que alguma coisa não fecha. Talvez o preço esteja abaixo do que deveria. Talvez os custos estejam altos demais. Talvez seja uma combinação das duas coisas.


Se o resultado é positivo, o passo seguinte é organizar. Defina quanto será o seu salário como dono(a) do negócio e quanto ficará como reserva do próprio negócio, para meses mais fracos ou para investimentos futuros.


Esse tipo de olhar já é contábil. Ele tira o peso do “acho que não está dando certo” e mostra, com clareza, o que o seu extrato e o seu caixa estão tentando dizer.


3. Empresas

O faturamento cobre a estrutura do seu negócio?

No caso de empresas, a pergunta central é outra: o faturamento está sustentando o tamanho da estrutura ou a empresa só se mantém porque alguém está colocando dinheiro de fora?


Para ter essa resposta de forma simples, comece somando os custos fixos mensais:

• aluguel

• folha de pagamento

• honorários do escritório de contabilidade

• internet, energia e telefone

• sistemas e softwares

• outras despesas que existem todos os meses, com venda ou sem venda

Esse é o custo fixo do negócio.


Em seguida, veja quanto a empresa faturou nos últimos três meses. Some esses valores e divida por três para chegar ao faturamento médio mensal.

Agora compare o faturamento médio com o custo fixo.


• se o faturamento médio é menor que os custos, a empresa está se mantendo com empréstimos, atraso de contas ou retiradas extras das sócias ou dos sócios

• se está muito justo, qualquer queda nas vendas aperta o caixa

• se está folgado, há espaço para planejar com mais tranquilidade


Essa conta simples mostra se a prioridade é vender mais, reduzir gastos, reorganizar a estrutura ou fazer um pouco de cada coisa. Quando a pessoa empresária olha para esses números com sinceridade, o extrato da conta da empresa deixa de ser um susto e passa a ser um painel de controle.


Fechando a conta

Em todos esses exemplos, estamos fazendo o que a contabilidade faz todos os dias: organizar os números para enxergar a realidade com clareza. Quando você aplica essa lógica ao seu salário, ao seu trabalho como profissional autônomo(a) ou à sua empresa, deixa o achismo de lado e passa a decidir com base em fatos.


Se, depois desta leitura, você olhar o seu extrato bancário com mais calma e colocar em prática pelo menos um desses exercícios, esta coluna já terá cumprido o seu papel. A partir daí, a pergunta deixa de ser apenas o que o seu extrato diria sobre você hoje e passa a ser outra, bem mais importante: que história você quer que ele conte sobre a sua vida financeira nos próximos meses?



Sabrina Santos.

 

 
 
 
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