UFSM abre inscrições para nova graduação em Segurança Cibernética com 40 vagas
Um novo curso chega à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ofertada pelo Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), a graduação em Segurança Cibernética tem duração de três anos, diurno e totalmente presencial. O objetivo principal do curso, que disponibiliza 40 vagas, é preparar profissionais para um mercado de trabalho amplo e com oportunidades crescentes.
A graduação em Segurança Cibernética é uma proposta do Programa Universidades Transformadoras, do Ministério da Educação, que busca promover a revisão curricular e estrutural das instituições de ensino superior a partir de três eixos: inovação, inclusão e estratégia. A criação do curso acompanha o crescimento da demanda por especialistas em segurança digital, em um cenário no qual cada vez mais serviços, dispositivos e informações estão conectados à internet. O avanço da inteligência artificial (IA) também amplia os desafios da área, tanto pelas possibilidades de otimização do trabalho quanto pela necessidade de garantir o uso seguro de dados e ferramentas tecnológicas.
Segundo Renato de Azevedo, coordenador da nova graduação, a proposta surgiu após discussões iniciadas há cerca de um ano antes da elaboração do currículo, com a participação de empresas de Santa Maria e região, entidades de classe e organizações de outras partes do país. A partir desse levantamento, a Universidade identificou a necessidade de ampliar a formação na área de segurança cibernética.
O professor Renato afirma que a nova oferta busca aproveitar a estrutura e os profissionais já disponíveis na instituição, além de responder à existência de vagas ociosas em cursos da Universidade. “E a ideia dos próprios cursos de tecnologia é atender a uma demanda atual. Então, houve essa modificação de demanda, optamos por finalizar ou encerrar uma turma de Redes e abrir, com basicamente o mesmo corpo docente, um curso novo para atender a uma demanda crescente da sociedade”, explicou.
Assim a turma de Redes de Computadores que possuía 80 vagas, algumas ociosas, passou a ter 40. Durante a elaboração do projeto pedagógico, a equipe analisou cursos existentes no Brasil e no exterior, incluindo formações dos Estados Unidos, Canadá, Portugal e Alemanha. O mapeamento ajudou a definir as disciplinas e as competências necessárias para uma graduação voltada aos estudantes que ingressam após o ensino médio.
De acordo com o coordenador, a expectativa é que o curso seja o primeiro de uma universidade pública da Região Sul do Brasil dedicado à área. A equipe também pretende estreitar a cooperação com a Universidade do Minho, em Portugal, que oferece formação de pós-graduação em segurança cibernética. A intenção é facilitar a continuidade dos estudos dos graduados da UFSM.
Prática é a base do curso
Para o coordenador da nova graduação da UFSM, é fundamental “atender a demanda crescente e gigante que existe pela área”. Com foco na inserção profissional, o curso combina fundamentos teóricos de redes de computadores com atividades práticas voltadas à segurança de sistemas. A proposta pedagógica prevê que pelo menos 50% da carga horária das disciplinas específicas seja dedicada à prática, com algumas disciplinas ultrapassando essa proporção.Entre os conteúdos previstos estão segurança ofensiva e segurança defensiva. Na primeira, os estudantes aprenderão a identificar e explorar vulnerabilidades em ambientes controlados, simulando situações de ataque.
Na segunda, utilizarão os conhecimentos adquiridos para desenvolver estratégias de proteção e reduzir os riscos de invasões e vazamentos de dados. “Para conseguir atacar, o nível de conhecimento que vai ter que ter é muito grande. Entendendo como o ataque ocorre, fica fácil de saber como se proteger daquele tipo de ataque”, explica o coordenador. A formação também deverá incluir atividades de extensão com empresas. A intenção é estabelecer parcerias para que os estudantes realizem análises de segurança em redes e sistemas reais, com autorização formal e acordos que garantam a proteção tanto das organizações participantes quanto da Universidade. A iniciativa pretende aproximar o aprendizado das situações encontradas no mercado de trabalho.A intenção é facilitar a continuidade dos estudos dos graduados da UFSM.
Laboratório para simulação de ataques de sistemas
O CTISM está organizando um laboratório específico para atividades práticas do curso de Segurança Cibernética. O espaço conta com computadores, servidores e estações de trabalho organizadas em ilhas, que permitirão aos estudantes realizar exercícios de ataque e defesa em ambientes separados. O laboratório também prevê equipamentos para análise de redes sem fio e captura de sinais de radiofrequência, para que seja possível identificar vulnerabilidades em dispositivos e sistemas.
Inteligência Artificial e conhecimento técnico
O uso da inteligência artificial será abordado de maneira integrada às disciplinas, como ferramenta para otimizar análises de segurança e ampliar a produtividade dos profissionais. A proposta, segundo o coordenador, não é substituir o conhecimento técnico, mas preparar os estudantes para utilizar as tecnologias de forma responsável. A formação também deverá contemplar os riscos relacionados ao compartilhamento de informações sensíveis com ferramentas de IA.
Estudantes podem se formar em menos de três anos
Renato reitera que o curso tem um Programa de Verticalização que possibilitará que alunos eliminem disciplinas obrigatórias. Isso se aplica para estudantes que fizeram cursos técnicos de áreas comuns. “O aluno que fez um técnico de informática, por exemplo, ele, tendo conhecimento que a banca achar suficiente, é dado aproveitamento por verticalização”, explica. Para que seja aprovada a verticalização, o estudante deve passar por uma banca avaliadora e realizar testes que podem variar de acordo com a necessidade. O professor cita exemplifica que pode ser uma prova ou um trabalho que ateste o conhecimento.
Como ingressar no curso
O ingresso seguirá os processos seletivos regulares da UFSM, incluindo Vestibular, Processo Seletivo Seriado (PSS) e Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A distribuição das vagas e as regras de reserva por cotas seguirão os critérios institucionais de cada processo seletivo.Ao todo, serão ofertadas 16 vagas pelo o PSS, 12 pelo o Vestibular e 12 pelo o Sisu. As inscrições para o PSS podem ser realizadas até o dia 3 de novembro. Enquanto o período de inscrição para o Vestibular se encerra em 16 de novembro. Para mais informações, acesse o site do curso.

















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