Arte produzida por alunos do Presídio ganha exposição no Fórum de Cachoeira do Sul
Uma exposição que reúne trabalhos artísticos produzidos por alunos privados de liberdade do Presídio Estadual de Cachoeira do Sul está sendo realizada no Fórum de Cachoeira do Sul. As obras foram desenvolvidas por estudantes do NEEJA Julieta Villamil Balestro, instituição responsável pela educação de jovens e adultos no ambiente prisional.
A atividade é coordenada pelas professoras Cátia Souza e Patrícia Bertuol, que desenvolveram com os alunos uma proposta voltada à utilização da arte como ferramenta de criatividade, expressão e transformação.
Os trabalhos apresentados utilizam, entre outros materiais, elementos retirados da natureza, especialmente pinhas. A proposta busca demonstrar como materiais naturais, biodegradáveis e encontrados gratuitamente podem ser transformados em peças de arte sustentável.
Arte como forma de expressão
Durante a apresentação da exposição, as professoras destacaram que o trabalho com arte vai muito além da produção de objetos. A proposta é utilizar a atividade artística como uma maneira de estimular a criatividade, o pensamento crítico, a imaginação e o autoconhecimento.
Mesmo sem formação específica na área de Artes, Cátia e Patrícia desenvolveram as atividades a partir do desejo de despertar nos estudantes novas possibilidades de enxergar a vida.
Segundo as educadoras, durante a realização dos trabalhos é possível perceber momentos de silêncio e concentração, nos quais os estudantes mergulham na própria imaginação.
A experiência também permite que sentimentos, conflitos e anseios sejam expressados de uma maneira diferente, muitas vezes sem a necessidade das palavras.
Depoimentos dos estudantes
O significado da arte aparece também nas próprias percepções dos alunos.
“A Arte me faz viajar através da minha imaginação”, afirmou um estudante das séries iniciais.
Outro aluno, do ensino fundamental, definiu a experiência como uma forma de encontrar tranquilidade:
“A Arte é inspiração, é um modo diferente de encontrar a paz, a tranquilidade. Você vive melhor com a arte.”
A atividade também é associada à possibilidade de enxergar o mundo sob novas perspectivas. “Você vê o mundo diferente através da arte”, relatou outro estudante.
Para outro participante, a produção artística representa uma maneira de revelar sentimentos que permanecem escondidos: “A arte é uma forma de expressar o sentimento escondido em si próprio”.
Outros estudantes relacionaram a arte à inspiração, ao amor, ao carinho e à gratidão pela vida.
Materiais da natureza viram arte sustentável
Um dos destaques da exposição são as pinhas, utilizadas como matéria-prima para diferentes trabalhos.
As professoras explicam que o material é natural, biodegradável e pode ser recolhido sem a necessidade de extração de árvores, já que as pinhas caem naturalmente dos pinheiros. Além disso, seu formato e sua textura favorecem diferentes possibilidades de criação.
A utilização de elementos naturais integra uma proposta de arte sustentável, mostrando aos estudantes que materiais simples podem ganhar novos significados por meio da criatividade.
Educação e ressocialização
No ambiente prisional, a arte é apresentada pelas educadoras como uma ferramenta capaz de contribuir para o processo de ressocialização e desenvolvimento pessoal.
A atividade permite trabalhar concentração, raciocínio, autoestima, criatividade e expressão emocional, além de criar um espaço para que os estudantes desenvolvam novas formas de perceber a si mesmos e o mundo ao redor.
A exposição no Fórum representa, dessa forma, não apenas a apresentação de trabalhos artísticos, mas também a valorização da educação como instrumento de transformação e reconstrução de trajetórias.
Por meio das obras, os alunos mostram que a criatividade pode surgir mesmo em contextos de restrição e que a educação e a arte podem abrir espaços para reflexão, expressão e novas perspectivas de vida.

















Comentários